Governistas reagem ao corte de 0,25 p.p. na Selic e classificam como “decepcionante”
Ministros e parlamentares da base do governo Lula manifestaram descontentamento com a decisão do Banco Central de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, passando de 15% para 14,75% ao ano. A medida, anunciada na quarta-feira (18), não atendeu às expectativas de um corte mais substancial, especialmente considerando que a taxa estava em seu nível mais elevado desde 2006 e não havia sido alterada durante a gestão do atual presidente da instituição, Gabriel Galípolo, que foi indicado por Lula.
Reação do governo
Os aliados do presidente criticaram a justificativa do Banco Central, que atribuiu a cautela na redução dos juros ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Eles argumentam que a diminuição foi insuficiente, tendo em vista o longo período em que a taxa permaneceu elevada.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, expressou sua insatisfação com a decisão, classificando-a como “decepcionante”. Ela ressaltou que o Brasil já suportou um custo elevado devido à política de juros restritiva, a qual estaria inibindo investimentos e aumentando a dívida pública e das famílias.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, também criticou a ação do Banco Central, chamando a decisão de “vergonha” e considerando a redução de 0,25 ponto percentual como tímida e inadequada às necessidades do país. Em suas palavras, “enquanto o Governo do Presidente Lula trabalha para gerar emprego, ampliar o crédito e fortalecer a renda, o Banco Central do Brasil insiste em manter uma das taxas de juros mais altas do mundo”.
Conspiração ou falta de justificativa?
O deputado Lindbergh Farias, do PT do rio de janeiro, foi mais incisivo ao sugerir que o Banco Central poderia estar agindo contra os interesses do governo. Ele afirmou que não há justificativa técnica para a ausência de uma política de redução mais acelerada da taxa básica de juros, enfatizando que “não temos inflação de demanda” e que a economia brasileira está desacelerando devido aos juros excessivamente altos.
José Guimarães, líder do Governo na Câmara, também condenou a decisão, chamando a redução de insuficiente e pedindo cortes mais significativos para “estimular o desenvolvimento, gerar empregos e impulsionar a economia brasileira”.
Posição do ministro
Por outro lado, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, optou por não criticar diretamente o Banco Central. Ele afirmou que o governo acolhe a nova fase de cortes e aproveitou para alfinetar a oposição, destacando que “fazer fake news é fácil”, enquanto trabalhar de forma séria e responsável é o que realmente importa para um Brasil melhor sob a liderança de Lula.
A insatisfação com a política monetária do Banco Central reflete as tensões entre a equipe econômica do governo e a autoridade monetária, especialmente em um momento em que a recuperação econômica é uma prioridade para a gestão atual.
