Senado envia missão aos EUA para monitorar situação de detidos após caso Ramagem
A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou, nesta quinta-feira (16), a proposta de envio de uma missão oficial aos Estados Unidos para investigar a situação de brasileiros detidos no país. A comitiva deverá visitar Orlando, na Flórida, e Washington, D.C., com o intuito de “avaliar a assistência consular” e o “cumprimento de acordos internacionais”.
O requerimento, apresentado pelo senador Jorge Seif (PL-SC), permite que os senadores verifiquem as condições de custódia, acompanhem possíveis processos de extradição e realizem reuniões com autoridades norte-americanas, representantes diplomáticos brasileiros e organizações de direitos humanos.
Embora o texto mencione genericamente a situação de brasileiros presos no exterior, a proposta ganhou impulso após a detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado por tentativa de golpe de Estado, foi preso por autoridades migratórias dos EUA e, posteriormente, liberado.
Na justificativa do requerimento, Seif argumenta que a presença da comitiva nos Estados Unidos permitirá verificar se as garantias fundamentais estão sendo respeitadas e reforçar o diálogo entre os dois países. Nos bastidores, o foco principal da missão é o caso de Ramagem, incluindo a comunicação com autoridades americanas sobre sua situação migratória.
O senador também destacou a participação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos Estados Unidos, como parte da articulação para a missão.
A plenária que aprovou o requerimento foi liderada pelo senador Hamilton Mourão (republicanos-RS), que mencionou uma “situação complicada” envolvendo brasileiros nos EUA e rotulou Ramagem como um perseguido político.
A proposta gerou críticas por parte do PT, que, em nota, afirmou que os opositores estão organizando uma viagem com recursos públicos para apoiar um “condenado e foragido da Justiça brasileira”. O partido questionou ainda a condução da reunião, realizada fora do horário regimental e com baixa participação.
Atualmente, a missão não possui data definida nem número exato de integrantes confirmados, e precisará ser aprovada pelo plenário do Senado antes de sua execução.
