Fifa penaliza Associação Israelense de Futebol por práticas racistas
A FIFA anunciou, na última quinta-feira (19), penalidades à Associação Israelense de Futebol por transgressões às normas de antidiscriminação e fair play, após uma investigação sobre casos de racismo no futebol do país. Contudo, a entidade decidiu não aplicar sanções a clubes israelenses que, segundo a Associação Palestina de Futebol, atuam em território palestino.
As medidas foram discutidas durante uma reunião do Conselho da FIFA, que considerou propostas da federação palestina apresentadas no congresso da entidade, realizado em Bangkok em maio de 2024.
Decisão sobre assentamentos
Em relação aos clubes localizados em assentamentos na Cisjordânia ocupada, a FIFA seguiu as orientações de seu comitê de governança, concluindo que não era apropriado aplicar sanções. Em comunicado, a entidade ressaltou que “não deve tomar nenhuma medida”, uma vez que “o status legal final da Cisjordânia continua sendo uma questão não resolvida e extremamente complexa no contexto do direito internacional público”.
A participação desses clubes em competições organizadas por Israel é um tema controverso dentro da FIFA. A federação palestina argumenta que as equipes situadas em assentamentos, em áreas reivindicadas para um futuro Estado palestino, não deveriam competir nas ligas israelenses.
Violação de normas antidiscriminação
Em uma decisão separada, a FIFA identificou “violações sistêmicas” das normas de antidiscriminação pela federação israelense, citando a falta de ação contra episódios de racismo recorrentes. O comitê disciplinar destacou que a entidade não tomou as medidas adequadas para lidar com comportamentos discriminatórios de torcedores, especialmente em relação ao Beitar Jerusalem, que se tornou conhecido por discursos de ódio nos estádios. Além disso, a FIFA criticou a associação por não responder de maneira satisfatória a declarações públicas consideradas provocativas por dirigentes e clubes.
Como consequência, a associação israelense foi multada em US$ 190 mil (aproximadamente R$ 990 mil) e obrigada a implementar um plano de prevenção à discriminação, que incluirá campanhas educativas e mecanismos de monitoramento. A entidade também deverá exibir mensagens antidiscriminatórias em suas próximas três partidas como mandante em competições organizadas pela FIFA.
