Brasil rejeita retaliação a tarifas de 25% dos EUA e aposta em negociação
Vice-presidente Alckmin descarta retaliação ao aumento tarifário dos EUA e destaca uso cauteloso da Lei da Reciprocidade.
Vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira 21 que o Brasil não pretende retaliar os Estados Unidos diante da tarifa de 25% aplicada a produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor na quarta-feira 22, provoca impacto direto em cerca de 2,4 mil empresas brasileiras.
Sobre a Lei da Reciprocidade, Alckmin ressaltou que se trata de um mecanismo de defesa, mas que deve ser utilizado com prudência e no momento adequado. Ele descartou a ideia de retaliação imediata, destacando que uma reação impulsiva poderia prejudicar ambos os lados.
O foco do governo brasileiro permanece na negociação para tentar reverter ou reduzir a tarifa imposta pelo governo americano. Após encontro com representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abrimaq), o vice-presidente indicou que o diálogo é o caminho prioritário.
Reuniões setoriais organizadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) buscam identificar as demandas dos setores mais afetados pelo aumento tarifário. A intenção é apoiar os empresários impactados e encontrar formas de minimizar os reflexos negativos.
Representantes da Abrimaq, incluindo o presidente do Conselho de Administração José Velloso, apresentaram propostas como compensações de créditos tributários acumulados, adiamento de tributos federais para melhorar o capital de giro e incentivo à abertura de novos mercados internacionais.
O impacto econômico estimado da tarifa é significativo: responsável por aproximadamente 18% das exportações brasileiras para os EUA, o setor afetado movimenta cerca de 7,4 bilhões de dólares, dados baseados em 2024.
Para reduzir a dependência do mercado americano, o governo anunciou um plano de 130 milhões de reais via Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O programa visa diversificar as exportações e será desenvolvido em parceria com 57 setores econômicos que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras.
- Data da tarifa: entra em vigor em 22 de julho de 2026
- Empresas afetadas: aproximadamente 2,4 mil
- Participação nas exportações: cerca de 18% para os EUA
- Valor das exportações afetadas: 7,4 bilhões de dólares, conforme dados de 2024
- Investimento da ApexBrasil: 130 milhões de reais para diversificação
