PF investiga suposta troca de favores entre ex-secretário da gestão Castro e líder do CV
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam que Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão” e suposto líder do comando vermelho, se referiu a encontros e favores com Gutemberg Fonseca, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor e pré-candidato a deputado federal no rio de janeiro.
Os diálogos, registrados entre maio e agosto de 2025, ocorreram durante o período em que Gutemberg exercia a função de secretário no governo de Cláudio Castro (PL). Ele foi nomeado para o cargo em 2023, a convite do senador Flávio Bolsonaro (PL), que também é pré-candidato à Presidência. O ex-secretário deixou o cargo em abril deste ano, durante uma série de exonerações promovidas pelo governador interino Ricardo Couto.
Interações com assessores
As mensagens indicam que o traficante mantinha contato regular com um assessor do ex-deputado TH Joias, que atuava como intermediário com Gutemberg. Em uma das conversas, um dos envolvidos mencionou que o ex-secretário participou de uma reunião com membros do CV.
Demandas por cargos
Além disso, os registros mostram que traficantes solicitavam a nomeação de Marcos José Menezes, ex-servidor da prefeitura do rio e coordenador de campanha de Gutemberg, para cargos públicos. Em julho de 2025, Índio do Lixão pressionou o ex-secretário, sugerindo que ele intercedesse caso a nomeação não fosse atendida.
Posteriormente, o assessor de TH Joias compartilhou com o traficante o endereço da sede do Procon estadual, onde um encontro com Gutemberg poderia ocorrer. A PF ainda não confirmou se essa reunião realmente aconteceu.
Conexões com advogado
A investigação também revela que o traficante tinha contato direto com Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário da Defesa do Consumidor e ex-secretário estadual de esportes, que está preso desde setembro de 2025, acusado de receber propina do Comando Vermelho. Em mensagens trocadas com Carracena, Índio do Lixão enviou um vídeo institucional de Gutemberg e comentou sobre o sucesso de uma reunião da secretaria com a concessionária Enel, atribuindo esse êxito a suas ações.
Defesa do ex-secretário
Por sua vez, Gutemberg Fonseca refutou as acusações, afirmando não ter qualquer ligação ou encontro com Índio do Lixão. Ele expressou sua perplexidade ao ser mencionado nas investigações da Polícia Federal. “Sempre lutei contra o crime organizado e pela segurança da minha família. Por que teria relações com essas pessoas? Não compreendo por que mencionaram encontros comigo. Se houvesse algo, a Polícia Federal teria me indiciado. Na própria troca de mensagens, o traficante afirma que não atendi seus pedidos”, declarou o ex-secretário estadual.
