Petrobras, Dataprev e Banco do Brasil impulsionam volta do Centro do Rio como polo empresarial
O Centro do Rio de Janeiro, maior polo empresarial da cidade, concentra mais de 75 mil empresas em atividade e gera cerca de 600 mil empregos formais. A região destaca-se no primeiro semestre pela absorção significativa de escritórios de alto padrão, confirmando a retomada do mercado corporativo local.
Retorno das grandes empresas ao Centro
Localizada ao redor da Avenida República do Chile, área que desde a década de 1980 se tornou endereço preferido para instituições corporativas, a região passa por um processo de revitalização impulsionado pela reocupação de importantes prédios. A Petrobras lidera essa movimentação com a modernização e reabertura do Edifício-Sede (Edise), que deve atrair cerca de oito mil pessoas diariamente, entre funcionários e visitantes, a partir do próximo ano.
A estatal desde 2023 vem encerrando o sistema de teletrabalho para suas equipes administrativas, o que foi acompanhado de protestos internos, mas ganha novo fôlego com as obras no edifício. O projeto inclui, em parceria com a Prefeitura do Rio, uma nova entrada para facilitar o fluxo de pedestres e estimular o comércio local.
Novos investimentos e expansão de operações
A Dataprev também reforça a movimentação no Centro. Em maio, a empresa fechou contrato de aproximadamente R$ 220 milhões para instalar sua sede no Edifício Ventura, um dos prédios corporativos mais valorizados da cidade. Mais de mil funcionários deixarão a antiga base em Botafogo para atuar em cinco andares desse complexo inaugurado em 2010, que já abriga multinacionais e atende especificações técnicas para grandes empresas.
Na Rua Senador Dantas, o Banco do Brasil desistiu de vender o Edifício Sedan e iniciou o processo gradual de reocupação do prédio. Atualmente, cerca de 30 setores administrativos operam nos 18 primeiros andares, com planos de aumentar a ocupação para os 40 pavimentos. A instituição informou que trabalha em um projeto de ampliação para atender suas demandas internas.
Movimentação econômica e imobiliária do Centro
Além dessas empresas, o Centro abriga operações de outras grandes companhias como BNDES, IBM Brasil, Meta, Accenture, BNY Mellon, Allianz Seguros, Capgemini e companhias do setor de petróleo como Shell, TotalEnergies, Baker Hughes e SLB. Recentemente, a Ipiranga também transferiu sua sede para o Edifício Ventura, ocupando cerca de 4 mil metros quadrados.
Francisco Grelo, diretor de Operações e Inteligência da Aliança Cidade, afirma que o retorno de milhares de trabalhadores transforma a dinâmica local, favorecendo o comércio e serviços que dependem da circulação diária de pessoas. Segundo levantamento da associação, o Centro concentra cerca de um quinto dos CNPJs do Rio, com faturamento anual estimado em R$ 2 trilhões.
O mercado imobiliário acompanha esse movimento: dados da Newmark apontam que a região liderou a absorção líquida de espaços comerciais de alto padrão no segundo trimestre de 2026, com cerca de 11 mil metros quadrados ocupados, superando a Barra da Tijuca e o eixo Flamengo-Glória. No semestre, a absorção chegou a 36 mil metros quadrados, mais que o dobro do ano anterior, enquanto a taxa de vacância segue em queda, situando-se em 23,5%.
Consultorias como Colliers, JLL e CBRE confirmam a tendência de diminuição da disponibilidade de imóveis de alto padrão no Centro, indicando uma revalorização contínua do local.
