Pesquisas mantêm aberta possibilidade de eleição no 1º turno

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Levantamentos mostram Lula e Flávio Bolsonaro próximos, enquanto especialistas consideram improvável uma definição em 4 de outubro

A eleição presidencial ainda pode ser decidida no primeiro turno, em 4 de outubro, mas as pesquisas mais recentes apontam uma disputa apertada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Para evitar uma segunda rodada, um dos candidatos precisaria superar 50% dos votos válidos, que não incluem brancos e nulos.

Levantamento AtlasIntel divulgado na quinta-feira (23) mostrou Lula com 46,3% dos votos válidos, contra 43,9% de Flávio. Na pesquisa PoderData publicada nesta sexta-feira (24), o presidente apareceu com 43%, seguido pelo candidato do PL, com 42%.

Na sondagem AtlasIntel, os demais candidatos somaram percentuais que poderiam ser decisivos para uma vitória no primeiro turno: Renan Santos (Missão) teve 4,6%; Augusto Cury (Avante), 2,1%; Ronaldo Caiado (PSD), 1,4%; Romeu Zema (Novo), 0,9%; e outros nomes, 0,8%.

Especialistas veem baixa probabilidade de definição imediata

O cientista político Rui Tavares Maluf classificou o pleito como imprevisível e afirmou que a indefinição dos eleitores pode permanecer até os últimos dias. Ele também citou a explosão do Caso Master e a possibilidade de migração de votos dos candidatos de menor desempenho como fatores que dificultam uma projeção segura.

Segundo Maluf, as pesquisas das últimas 24 horas talvez indiquem uma direção mais clara. Ele lembrou que, em 2022, Lula ficou a menos de dois pontos percentuais de vencer no primeiro turno. Para o cientista político, uma vitória na primeira rodada não está descartada, seja para Lula ou para Flávio, embora as eleições posteriores a 2014 tenham se mostrado cada vez mais incertas.

Já Paulo Roberto Figueira Leal, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, considera improvável uma definição em 4 de outubro. Na avaliação dele, seria necessário que as candidaturas da chamada terceira via perdessem força rapidamente e que Lula ou Flávio apresentasse crescimento vertiginoso — movimento que, segundo o professor, não aparece nos levantamentos.

Leal também apontou que os indecisos e os eleitores que planejam votar em branco ou nulo podem ser determinantes. Na AtlasIntel, esse grupo representou 1,2% do total. O índice foi maior em outras pesquisas: 15% na Quaest de 21 de setembro, 6% na Nexus, também de 21 de setembro, e 9% no Datafolha de 18 de setembro.

Disputa pelo voto útil

O PT busca encerrar a eleição no primeiro turno porque, diferentemente de 2022, não há candidatos competitivos de esquerda ou centro-esquerda cujos votos tendam a migrar majoritariamente para Lula em um eventual segundo turno. Na eleição anterior, Ciro Gomes e Simone Tebet ocuparam esse espaço.

Com Lula e Flávio em situação de proximidade nas pesquisas, petistas e bolsonaristas devem intensificar nos próximos dias a campanha pelo chamado voto útil. A estratégia é reduzir o espaço dos candidatos menores e tentar alcançar a maioria necessária para liquidar a disputa em 4 de outubro.

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