Lula defende biodiesel na Alemanha em resposta a restrições da UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta segunda-feira (20), durante sua visita à Alemanha, a importância da produção de biocombustíveis no Brasil e criticou as barreiras estabelecidas pela União Europeia (UE). Em um encontro empresarial no contexto da Feira Industrial de Hannover, Lula alertou sobre os mitos que cercam os biocombustíveis.

O presidente afirmou: “Há muitos mitos criados entre países desenvolvidos e aqueles em desenvolvimento. A Alemanha conhece o Brasil melhor do que qualquer outro lugar. Os alemães não podem se deixar levar pela ideia de que o biocombustível brasileiro prejudica a produção de alimentos. Se alguém acredita nisso, convido a conhecer o Brasil”. A declaração foi feita durante a abertura do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que ocorreu simultaneamente à inauguração do estande brasileiro na feira.

Lula ressaltou que o biocombustível brasileiro já apresenta menores emissões de carbono e que é crucial compartilhar essa experiência. “Quando o Brasil afirma que será uma potência global na transição energética e na oferta de combustíveis renováveis, não estamos falando de algo trivial”, destacou.

Crise energética

Em um pronunciamento ao lado do chanceler federal alemão Friedrich Merz, Lula observou que a recente crise energética evidencia a necessidade da Europa em superar sua resistência ideológica em relação aos biocombustíveis. Essa declaração surge em um contexto de restrições crescentes aos biocombustíveis fora do bloco europeu, especialmente com a iminente implementação do acordo de livre-comércio com o Mercosul.

Restrição europeia

Em janeiro, a Comissão Europeia anunciou planos para reclassificar o biodiesel produzido a partir da soja, que pode perder, a partir de 2030, o status de recurso renovável na UE. Essa mudança impactaria diretamente as importações de biodiesel do Brasil e da Argentina. Uma restrição semelhante já afeta o óleo de palma, cultivado principalmente na Ásia. Defensores dessas restrições argumentam que o biodiesel de soja é tão prejudicial ao meio ambiente quanto o petróleo e que sua expansão compromete florestas e a produção de alimentos.

Lula, no entanto, discorda dessa perspectiva. “Ninguém consome biodiesel ou gasolina; as pessoas se alimentam. (…) Não há possibilidade de o Brasil deixar de produzir alimentos para fabricar biocombustíveis”, enfatizou, lembrando que existem vastas áreas degradadas que podem ser recuperadas para essa finalidade.

O presidente também mencionou que a União Europeia está revisando sua regulamentação sobre biocombustíveis, com propostas que desconsideram as práticas sustentáveis de uso do solo brasileiro. “Entrou em vigor em janeiro um mecanismo unilateral para cálculo de emissões de carbono que ignora o baixo nível de emissões do nosso processo produtivo baseado em fontes renováveis”, afirmou. “Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em um momento crítico”, acrescentou.

Lula chegou a Hannover no domingo (19), após uma visita à Espanha. Na Alemanha, ele foi recebido com honras pelo chanceler Merz, incluindo uma cerimônia militar no palácio Herrenhausen e um jantar privado na antiga residência dos reis de Hannover.

Na segunda-feira, Lula e Merz participaram da abertura do estande brasileiro na feira industrial, considerada a maior do setor no mundo. Além disso, estavam programadas reuniões no âmbito das consultas intergovernamentais de alto nível entre Alemanha e Brasil, um mecanismo de diálogo que o governo alemão mantém com poucos parceiros internacionais, prevendo encontros regulares entre os países.

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