Grupo atua para barrar influência do crime organizado nas eleições
O Tribunal Regional Eleitoral do rio de janeiro (TRE-RJ) estabeleceu um Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral, com o intuito de enfrentar a influência do crime organizado nas eleições de 2026 e suas tentativas de infiltração na política. A iniciativa foi aprovada em uma reunião na última quinta-feira, 19, sob a liderança do desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do tribunal, e contou com a participação de representantes de setores de inteligência das forças de segurança e do Ministério Público Federal.
Objetivos do grupo
Entre as metas do novo comitê, destaca-se a coordenação e integração das ações dos órgãos especializados, além do compartilhamento de informações, visando uma atuação conjunta e eficaz. Em nota, o TRE-RJ afirmou que a criação do grupo se justifica pela necessidade de evitar que o controle territorial exercido por grupos criminosos, como aqueles envolvidos com o tráfico de drogas e milícias, resulte em coação ao eleitorado, financiamento irregular de campanhas ou candidaturas ligadas ao crime.
O desembargador Claudio de Mello Tavares enfatizou que a formação do grupo é uma resposta ao contexto peculiar de segurança no rio de janeiro. Ele afirmou: “Estamos diante de uma situação muito específica, que se distingue da média enfrentada em outras partes do Brasil. Por essa razão, é fundamental reunir o que há de melhor nas nossas forças de inteligência para impedir a infiltração do crime organizado nas esferas do Executivo e do Legislativo.”
Prevenção e fiscalização
O desembargador também alertou que as eleições não devem permitir que organizações criminosas se estabeleçam nas estruturas do Estado, adquirindo poder para formular e implementar políticas públicas. “Com o esforço de todos os órgãos envolvidos, estou confiante de que conseguiremos aprimorar o processo eleitoral e nos tornaremos um modelo para todo o País”, acrescentou.
O grupo atuará em duas frentes principais. A primeira envolve a identificação, análise e substituição de locais de votação situados em áreas de alto risco, com o objetivo de proteger os eleitores de pressões externas e garantir a liberdade e a consciência no ato de votar. Esse trabalho teve início nas eleições de 2024, conduzido pela Coordenadoria de Inteligência e Segurança Institucional do TRE-RJ, e já está em andamento.
A segunda frente se concentra no compartilhamento de informações de inteligência entre as forças de segurança sobre candidaturas que possam ter vínculos com o crime organizado. Esses dados serão utilizados para elaborar relatórios destinados à Procuradoria Regional Eleitoral, que poderá, durante a análise dos pedidos de registro de candidatura, solicitar o indeferimento de processos ao TRE-RJ, caso considere necessário.
A criação deste grupo de trabalho é uma estratégia importante para fortalecer a integridade do processo eleitoral no Rio de Janeiro e garantir que as eleições ocorram em um ambiente livre de influências ilegais.
