Chico Alencar e PT pedem investigação da PGR sobre Mario Frias por suspeita de rachadinha

O deputado federal Chico Alencar (psol-RJ) e a bancada do PT na Câmara dos Deputados protocolaram, nesta segunda-feira (25), um pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) por suspeitas de envolvimento em um esquema de “rachadinha” em seu gabinete. As alegações emergiram após uma reportagem do portal g1, que trouxe à tona relatos e documentos de uma ex-assessora parlamentar.

O pedido de Alencar solicita a apuração de indícios de peculato, concussão (quando um servidor público exige vantagens indevidas), corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A escolha de encaminhar o caso à PGR se justifica pelo foro privilegiado de Frias, que, como deputado federal, é julgado pelo supremo tribunal federal. Cabe ao procurador-geral, Paulo Gonet, decidir sobre a possível denúncia.

A ex-assessora Gardênia Morais, que atuou no gabinete de Frias entre fevereiro de 2023 e maio de 2024, declarou ao g1 que o deputado estava ciente de todas as devoluções financeiras, ressaltando que isso fazia parte de um “acordo inicial”. Ela também mencionou que outros membros do gabinete estavam envolvidos no esquema, com o então chefe de gabinete Raphael Azevedo sendo descrito como o “braço direito do deputado” e responsável pela execução dos repasses.

Entre os documentos analisados pelo portal, destaca-se um comprovante de transferência via Pix no valor de R$ 1.000, realizado por Gardênia em 29 de janeiro de 2024 para Maria Lúcia Frias, mãe do parlamentar. Outro registro indica um pagamento, em dezembro de 2023, de uma fatura do cartão de crédito de Juliana Frias, esposa de Mário Frias, no montante de R$ 4.800.

A ex-assessora também relatou que, em março de 2024, recebeu R$ 50.000 na conta-salário, provenientes de Azevedo e sua esposa, e no dia seguinte sacou R$ 49.999,99 em dinheiro, sem esclarecer o destino do valor. Essa situação sugere uma tentativa de ocultar a destinação final dos recursos.

Durante seu período no gabinete, Gardênia contraiu cinco empréstimos consignados, totalizando R$ 174.886, com os valores descontados diretamente da folha de pagamento da Câmara. A maior parte dos recursos, segundo a ex-assessora, foi destinada a Azevedo para quitar dívidas de campanha eleitoral de 2022 de Frias e de seu assessor, sendo que apenas um dos empréstimos foi utilizado para fins pessoais.

O documento apresentado por Alencar à PGR delineia uma estrutura com funções definidas: Frias como beneficiário principal e responsável por nomeações e exonerações; Azevedo como operador dos repasses; Gardênia como intermediária para viabilizar empréstimos e pagamentos; e outros servidores que, conforme a ex-assessora, também devolviam parte de seus salários.

A representação solicita o envio de cópias ao Tribunal de Contas da União e à Mesa Diretora da Câmara, visando a análise de uma possível quebra de decoro parlamentar. As práticas relatadas indicariam, em tese, a existência de uma organização criminosa, tendo se estendido por pelo menos 14 meses, com periodicidade mensal e funções claramente definidas.

A reportagem busca contato com a defesa de Mário Frias para obter uma posição sobre as acusações. O espaço permanece aberto para manifestações.

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