Áudios revelam controle autoritário de Thiago Rangel na Secretaria de Educação

Uma investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Unha e Carne revela que o deputado estadual Thiago Rangel (avante) estava ciente de planos violentos para silenciar opositores. Mensagens de texto e áudios obtidos pela PF mostram que Rangel aprovou sugestões de seu assessor, Fábio Pourbaix, que propunha ações agressivas contra um rival político.

Em uma das mensagens, Pourbaix sugere que poderiam “dar tiro no carro” e “bater na cara” do adversário. Rangel respondeu: “Beleza, vamos arquitetar esse cara aí. Tá impossível suportar ele. Arrebentar esse ****”. A PF prendeu o deputado em 5 de maio, no âmbito de uma investigação sobre fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação.

Vagas ligadas ao tráfico

A PF também levantou suspeitas sobre o envolvimento de Rangel na oferta de vagas na Secretaria para pessoas ligadas ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”. Mensagens do deputado revelam a reserva de cargos de auxiliar de serviços gerais na Educação para indicações do traficante.

Em outro registro, Gleice Maria Batista da Silva, irmã do traficante, questiona Rangel sobre uma nomeação que teria sido prometida: “Thiago Rangel, aqui é Gleice, irmã de Juninho do Beco. Eu fui fazer uma entrevista em agosto ou setembro e até hoje não me deram uma posição”. Rangel também instruiu Pourbaix a organizar documentos relacionados a essas indicações, destacando a ligação com o traficante.

Controle das decisões na Educação

Em um áudio datado de agosto de 2024, Rangel dá ordens à então diretora regional de Educação do Noroeste fluminense, Júcia Gomes de Souza Figueiredo, que também foi presa. No registro, ele afirma ser o responsável pelas indicações políticas e que todas as decisões na regional deveriam ser aprovadas por ele: “Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. Eu não tenho que dar satisfação a ninguém. O deputado sou eu. A indicação é minha e quem manda sou eu”.

Os investigadores consideram que Júcia atuava como uma extensão do deputado na Secretaria, coordenando 57 escolas estaduais em 13 municípios da região, que juntas contam com mais de 3,2 mil servidores.

Transferência financeira suspeita

A PF também identificou uma transferência suspeita de R$ 100 mil entre duas empresas ligadas ao grupo. Os valores foram transferidos da VAR Construtora, uma empresa de obras escolares sem funcionários registrados, para uma casa de festas. A polícia considera essa movimentação financeira um forte indício de lavagem de dinheiro.

Os áudios e mensagens foram detalhados em um relatório integrado à investigação, que continua em andamento. Em defesa, a assessoria de Thiago Rangel afirmou que ele é inocente e que as mensagens foram tiradas de contexto.

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