Os mestres da ourivesaria do Rio que deixaram legado em prata na cidade
José de Oliveira Coutinho destacou-se entre os ourives cariocas que moldaram a prata da Corte ao longo de séculos.
José de Oliveira Coutinho foi um dos grandes ourives da Corte do Rio de Janeiro, reconhecido pelas pequenas marcas JOC em suas obras de prata que resistem quase dois séculos. Suas peças, como cálices, lampadários e insígnias imperiais, são exemplo da tradição artesanal que prosperou na antiga Rua dos Ourives, no Centro da cidade.
Oficinas e tradição:
Por pelo menos duzentos anos, o Rio abrigou uma escola de prateiros que produzia desde objetos religiosos até joias e utensílios para famílias influentes e para a monarquia. No século XVIII, já existiam pelo menos 16 lojas dedicadas ao ofício, que se organizavam em corporações reguladas pela Irmandade de Santo Elói, padroeiro dos trabalhadores do ouro e prata, cuja presença marcante na Igreja de Santa Luzia refletia a importância da profissão.
Produção artística:
O trabalho do ourives ia muito além da fundição simples. Incluía etapas complexas como modelagem, repuxo, cinzelamento e douramento parcial. Obras grandes envolviam a participação de vários especialistas, transformando a prata em verdadeiros tesouros, valorizados como riqueza tangível, especialmente no século XVIII, quando seu valor se aproximava ao do ouro.
Marcas e fiscalização:
As peças carregavam punções que indicavam o autor, o teor do metal e o controle de qualidade. A prata normalmente tinha 83,3% de pureza, marcada como 10 dinheiros no sistema antigo, sendo a prata pura equivalente a 12 dinheiros. Essa sinalização ajudava a prevenir fraudes e garantir procedência, sob vigilância das autoridades portuguesas.
Patrimônio e preservação:
Em 1950, muitas obras ainda decoravam igrejas do Rio, mas a partir dali algumas desapareceram, outras migraram para museus e coleções particulares, e um número voltou ao mercado de arte. A pesquisa e identificação dessas peças são possíveis graças às pequenas marcas deixadas pelos ourives, que preservam a memória desses artesãos.
Resumo dos pontos:
- Local histórico: Rua dos Ourives, Centro do Rio, centro da ourivesaria até reformas urbanas posteriores.
- Instituição: Irmandade de Santo Elói, responsável pela organização e fiscalização do ofício.
- Produção: Cálices, cruzes, lampadários, joias e símbolos da monarquia.
- Marcas: Indicação do autor, teor da prata e controle de origem.
- Legado: Obras preservadas em igrejas, museus e mercado de arte, com registro histórico e cultural.
