Imagens de satélite revelam extensão da destruição em Gaza

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Comparação de registros do Google Maps mostra bairros reduzidos a escombros, áreas agrícolas danificadas e milhares de estruturas atingidas.

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Imagens de satélite atualizadas mostram a dimensão da destruição na Faixa de Gaza após quase três anos de guerra entre Israel e o Hamas, segundo comparação publicada pela Al Jazeera. Registros do Google Maps revelam bairros inteiros reduzidos a escombros, áreas agrícolas queimadas e locais de culto danificados ou destruídos.

A análise percorreu a região de Rafah, no sul, até o norte de Gaza. As imagens de Rafah foram registradas neste ano, enquanto as áreas do norte aparecem em registros de 2024 e 2025. Em vários pontos, restam apenas os traçados de estradas principais, o que dificulta identificar os antigos limites dos bairros.

Estragos atingem cerca de 200 mil estruturas

Uma avaliação recente do Centro de Satélites das Nações Unidas (UNOSAT), citada pela reportagem, apontou aumento de 9% no número de estruturas destruídas desde o início de uma trégua mencionada no levantamento, há quase um ano. Ao todo, cerca de 82% das estruturas de Gaza — aproximadamente 200 mil edifícios — foram danificadas. Cerca de dois terços delas teriam sido destruídas, de acordo com a agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA.

Khan Younis registrou o maior número de estruturas danificadas entre os governos locais analisados pela UNOSAT em outubro de 2025: 51.885. A área também era um dos principais polos agrícolas de Gaza e concentra a maior extensão de terras cultiváveis danificadas na faixa. A mesquita indonésia Istiqlal, na região de Ma’an, foi destruída durante a guerra menos de dois anos depois de ser reaberta.

O governo de Gaza aparece em segundo lugar no levantamento, com 51.530 estruturas danificadas. Só na Cidade de Gaza foram contabilizadas 41.663. O porto local, que sustentava uma indústria pesqueira responsável pelo sustento de cerca de 110 mil pessoas, sofreu danos severos, e a maior parte das embarcações foi destruída, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Rafah e norte de Gaza

Rafah havia se tornado um dos principais destinos de palestinos deslocados de outras partes da faixa. Após o início das operações militares israelenses na cidade, em maio de 2024, cerca de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar a região, segundo o material. Muitas já haviam sido deslocadas várias vezes e seguiram para Khan Younis e Deir el-Balah.

No oeste de Rafah, o bairro de Tal as-Sultan, antes densamente ocupado, aparece quase completamente apagado nas imagens, com grandes áreas de areia onde havia residências. Al-Mawasi, faixa costeira que Israel havia declarado zona humanitária, passou a concentrar tendas e famílias após sucessivos deslocamentos e bombardeios relatados na reportagem.

No norte, 94% das áreas agrícolas estavam danificadas até julho de 2025, conforme o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. Beit Lahiya, Jabalia e outras comunidades foram alvo de operações militares, deslocamentos forçados e restrições à entrada de ajuda. Imagens do campo de refugiados de Jabalia mostram quarteirões inteiros destruídos.

Desde 7 de outubro de 2023, mais de 74 mil palestinos foram mortos e mais de 175 mil ficaram feridos, de acordo com os números apresentados pela Al Jazeera. A reportagem afirma que o total pode ser maior porque ainda há pessoas desaparecidas sob os escombros. Após a trégua citada no texto, mais de 1.400 pessoas teriam sido mortas e quase 5 mil ficaram feridas.

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