Coleta de leite materno no Rio de Janeiro cresce 10% no primeiro semestre de 2026
Bancos de leite do Rio aumentam volume arrecadado, mas doações ainda são insuficientes para atender prematuros em UTIs neonatais.
A coleta de leite humano no Rio de Janeiro avançou pouco mais de 10% nos primeiros seis meses de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Entre janeiro e junho, os bancos de leite do estado receberam 470 litros a mais, apesar da redução no número total de doadoras cadastradas.
Produção individual e fatores influenciadores:
Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), explica que o volume arrecadado não está diretamente ligado à quantidade de doadoras. “A produção depende de aspectos psicológicos, fisiológicos e estímulos externos, como a frequência da amamentação”, detalha a especialista.
Oferta ainda insuficiente para a demanda:
Mesmo com o aumento, a coleta atual não satisfaz completamente as necessidades das maternidades fluminenses. Para cobrir a demanda dos recém-nascidos internados nas UTIs neonatais dos hospitais que já possuem Bancos de Leite, seria necessária uma elevação de pelo menos 20% no volume arrecadado.
O Rio de Janeiro conta com 18 unidades de Banco de Leite Humano, mas a Fiocruz aponta a urgência de ampliar a rede, sobretudo em regiões com leitos de UTI neonatal que ainda não dispõem do serviço, para garantir maior acesso e agilidade no atendimento.
História de quem depende do banco de leite:
Damires Teixeira Pontes, 37 anos, moradora de Pilares, Zona Norte do Rio, compartilha sua experiência com o Banco de Leite Humano. Mãe de gêmeos prematuros que nasceram aos 34 semanas por cesárea de emergência, ela não conseguiu amamentar nos primeiros dias, já que o leite ainda não havia descido e os bebês não tinham reflexo de sucção.
“Meus filhos precisaram receber leite do banco por causa da prematuridade. Foi um alívio saber que eles tinham essa fonte de nutrição essencial enquanto eu não podia amamentá-los”, conta Damires. Para ela, o leite doado foi fundamental para a sobrevivência e recuperação dos recém-nascidos em um momento delicado.
Dados principais sobre a coleta de leite humano no Rio de Janeiro em 2026:
- Aumento do volume arrecadado: +470 litros no primeiro semestre em relação a 2025.
- Quantidade de bancos de leite: 18 unidades em funcionamento no estado.
- Meta de crescimento: necessidade de ampliar a coleta em 20% para atender plenamente as UTIs neonatais.
- Descentralização: demanda por novos bancos em regiões com UTIs neonatais sem o serviço.
Agosto Dourado:
o mês é dedicado à promoção da amamentação no país, reforçando a importância da doação de leite materno para bebês prematuros e hospitalizados.
