Preços de petróleo e gás sobem após ataques no Oriente Médio
A tensão na região produtora de commodities tem gerado uma significativa redução na oferta global de energia, impactando diretamente a inflação. Recentes ataques a infraestruturas no Catar intensificaram essa crise, levando o preço do barril de petróleo Brent a uma alta de 6,6%, alcançando US$ 114,53 nas negociações do mercado futuro. Simultaneamente, o valor do gás natural na Europa subiu 35% nas primeiras horas do dia.
Aumento de preços e consequências
Essa escalada nos preços ocorre em meio a ataques contra refinarias na Arábia Saudita e ao fechamento do Estreito de Ormuz, resultando em uma diminuição de aproximadamente 10% na oferta global de petróleo. No mercado europeu, o preço do gás natural atingiu 74 euros por MWh (megawatt/hora) no TTF (Title Transfer Facility), um dos principais índices do continente, devido a danos significativos no complexo de Ras Laffan, no Catar, que é o maior centro de exportação de Gás Natural Liquefeito (GNL) do mundo. A interrupção das operações nesse local força a Europa a buscar alternativas em um mercado já saturado, elevando os custos de energia para indústrias e famílias.
O governo brasileiro está atento aos efeitos dessa situação nos preços dos combustíveis fósseis. Com o petróleo ultrapassando os US$ 100, as previsões para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) podem ser afetadas. A Petrobras ainda não se manifestou sobre possíveis reajustes nas refinarias, mas o mercado financeiro antecipa uma valorização do dólar como um ativo de proteção, o que encareceria a importação de derivados.
Repercussões globais e riscos
No cenário internacional, a interrupção das rotas de escoamento pelo Irã chama a atenção dos países do G7. A Europa enfrenta um risco considerável no fornecimento de energia, caso os reparos no Catar não sejam realizados rapidamente. A economia global agora se depara com a possibilidade de estagnação devido ao aumento nos custos de produção, uma vez que o gás e o petróleo são insumos essenciais para a cadeia de suprimentos e transporte.
Impacto no Brasil
No Brasil, os desdobramentos dessa crise reverberam no mercado financeiro e nas previsões do governo federal. O Ministério da Fazenda sugeriu que os Estados isentem o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel importado até maio, como uma medida para minimizar o repasse da alta do petróleo aos consumidores. Essa renúncia fiscal representaria um custo de R$ 3 bilhões mensais, com a proposta de que os governos estaduais arcassem com R$ 1,5 bilhão e a União complementasse com uma subvenção de igual valor. A decisão sobre a adesão dos Estados a essa proposta deve ser anunciada no dia 27 de março, durante uma reunião do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária).
Apesar da pressão inflacionária provocada pelo aumento nos combustíveis, o Banco Central (BC) reduziu a taxa Selic para 14,75% na quarta-feira (18 de março). Contudo, a instituição adotou uma postura cautelosa, indicando que o conflito no Irã dificulta a previsão de novos cortes nos próximos meses.
