Trump ordena bloqueio da Marinha dos EUA no Estreito de Ormuz após negociações frustradas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou neste domingo (12) que a Marinha dos EUA inicie o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial no Golfo Pérsico. A medida ocorre em meio à frustração com a posição do Irã em relação ao seu programa nuclear, após o colapso das negociações de paz.
Controle do tráfego
A Guarda Revolucionária do Irã respondeu, afirmando ter total controle sobre o tráfego no estreito e ameaçando prender qualquer adversário que tentasse desafiá-la, advertindo que isso poderia resultar em um “vórtice mortal”.
Em uma declaração extensa em suas redes sociais, Trump expressou que seu objetivo principal é desminar a área e garantir que a navegação seja reestabelecida, mas ressaltou que o Irã não deve lucrar com o controle da passagem. “A Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o bloqueio de qualquer navio que tente entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, declarou. Ele também advertiu que qualquer ataque iraniano contra os EUA ou embarcações pacíficas resultará em uma resposta severa.
Interesses no estreito
O Irã, por sua vez, tem restringido o tráfego pelo estreito, vital para o transporte de petróleo, gás e fertilizantes, permitindo apenas a passagem de embarcações de países aliados, como a China. Há rumores não confirmados de que Teerã planeja implementar pedágios.
Trump criticou essa ação, chamando-a de “extorsão mundial”. “Instruí nossa Marinha a interceptar todas as embarcações que pagarem pedágio ao Irã. Ninguém que fizer isso terá passagem segura em alto-mar”, afirmou. Ele também anunciou que as minas lançadas pelo Irã no estreito seriam destruídas.
Ameaças e negociações
Após sua declaração, Trump, em entrevista à Fox News, ameaçou impor tarifas de 50% sobre as importações chinesas se Pequim decidir apoiar o Irã. “Eu poderia acabar com o Irã em um dia”, disse, referindo-se a suas instalações de energia.
O ultimato de Trump parece ter sido uma reação ao fracasso das negociações em Islamabad, onde delegações americanas e iranianas tentaram chegar a um acordo para encerrar um conflito que se intensificou nas últimas semanas, após ataques dos EUA e Israel que resultaram na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
A recusa do Irã em renunciar ao seu programa nuclear, que o país afirma ser para fins pacíficos, continua a frustrar as autoridades americanas. O vice-presidente JD Vance, o enviado da Casa Branca Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, estavam à frente das negociações.
Trump reiterou: “O Irã nunca terá uma arma nuclear! O bloqueio começará em breve”. Ele não especificou quais outros países poderiam se juntar ao bloqueio, enquanto várias nações haviam solicitado a manutenção de uma trégua temporária enquanto Washington e Teerã buscam uma solução diplomática.
Reações no Irã e mediadores
O porta-voz do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que foram apresentadas propostas construtivas durante as negociações, mas que os EUA não conseguiram ganhar a confiança da delegação iraniana.
O colapso das negociações suscita preocupações sobre uma possível escalada de conflitos, que poderia impactar os preços globais de energia e afetar a segurança na região. Civis no Irã expressaram desespero e incerteza sobre o futuro, como relatou uma dona de casa de Teerã.
O Paquistão, que atuou como mediador nas discussões, manifestou sua intenção de continuar facilitando o diálogo e pediu que ambas as partes mantenham o cessar-fogo. O ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, enfatizou a importância de respeitar o compromisso com a trégua.
Busca por paz
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, conversou com o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, destacando a necessidade de manter o cessar-fogo e evitar uma escalada no conflito.
Um porta-voz da União Europeia sublinhou que a diplomacia é fundamental para assegurar a paz na região, enquanto o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu apoio para mediar um acordo que traga uma solução duradoura para a tensão no Oriente Médio.
