Trump considera acordo com o Irã “muito possível”, mas mantém ameaças
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou, na terça-feira (5), sua crença na possibilidade de um acordo com o Irã para encerrar o conflito em curso. No entanto, ele também lançou um alerta sobre a possibilidade de intensificação de bombardeios caso as negociações não avancem. Este otimismo é contrastado pela falta de uma resposta oficial de Teerã, que, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que a proposta americana está “em análise”, de acordo com a imprensa local.
Trump, em sua plataforma Truth Social, mencionou que a perspectiva de um “acordo completo e definitivo com os líderes iranianos” poderia suspender temporariamente a operação de escolta de navios no Estreito de Ormuz, chamada de “Projeto Liberdade”, que foi iniciada na segunda-feira (4). Essa região é crucial para o comércio global de petróleo e gás.
Desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro, desencadeada por uma ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã, Teerã passou a controlar essa rota estratégica. Apesar do tom conciliador, Trump reafirmou que o bloqueio aos portos iranianos, imposto em 13 de abril, continua em vigor e que a decisão de pausar a escolta de navios foi feita em resposta a solicitações do Paquistão e de outros países.
Ameaças e advertências
Horas após suas declarações otimistas, Trump mudou de tom e advertiu em suas redes sociais que, sem um acordo, “os bombardeios voltarão com uma intensidade ainda maior”. Em uma entrevista à PBS, ele expressou que acredita na possibilidade de um desfecho pacífico, mas deixou claro que, se isso não ocorrer, os ataques serão retomados sem misericórdia.
Posição do Irã
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento, acusou os Estados Unidos de tentarem forçar Teerã à rendição por meio de “bloqueio naval, pressão econômica e manipulação da mídia”, além de buscar desestabilizar a coesão nacional.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador nas negociações, expressou, nesta quarta-feira (6), sua esperança de que a “dinâmica atual leve a um acordo duradouro”.
Avanços nas negociações
De acordo com informações do portal Axios, citando fontes do governo americano, as partes estão próximas de um “memorando de entendimento de uma página” que poderá encerrar a guerra e dar início a um período de negociações de 30 dias, possivelmente a ser realizado em Genebra ou na capital paquistanesa, Islamabad.
Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reuniu com seu homólogo chinês, Wang Yi, em Pequim. Durante a conversa, Araghchi mencionou que discutiram “as negociações em andamento” para pôr fim ao conflito.
Antes da reunião, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, conhecido por sua postura crítica em relação à China, pediu a Pequim que pressionasse o Irã a suspender o bloqueio no Estreito de Ormuz, uma ação que, segundo ele, está isolando o país globalmente.
