Putin classifica conflito na Ucrânia como enfrentamento a ‘força agressiva’ da Otan

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou neste sábado (9) que seu exército enfrenta uma força “agressiva” na Ucrânia, respaldada pela OTAN, durante sua fala no Dia da Vitória, uma comemoração que este ano ocorreu em formato reduzido devido a uma breve trégua mediada pelos Estados Unidos.

O evento, realizado na Praça Vermelha de Moscou, teve duração de apenas 45 minutos e não incluiu a exibição de armamentos, em contraste com as celebrações do ano passado, que contaram com a presença de cerca de 20 líderes internacionais, incluindo representantes da China e do Brasil. Neste ano, a cerimônia foi marcada pela participação de apenas alguns poucos líderes aliados de países como Belarus, Cazaquistão, Malásia e Eslováquia.

A trégua de três dias entre a Rússia e a Ucrânia, anunciada na véspera pelo presidente americano, Donald Trump, permitiu a realização da comemoração, que estava sob a ameaça de possíveis ataques com drones por parte da Ucrânia. “O grande sucesso da geração vitoriosa inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial [na Ucrânia]. Eles enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da OTAN”, afirmou Putin em seu discurso.

O presidente russo expressou confiança em sua causa, afirmando: “Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre”. Desde o início do conflito, a Rússia controla aproximadamente 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia, anexada em 2014.

Medidas de segurança

O desfile começou às 10h00 locais (04h00 de Brasília) e foi encerrado às 10h45, sob rigorosas medidas de segurança. A internet móvel foi desligada no centro de Moscou, e muitas ruas estavam quase desertas, conforme reportado por jornalistas da AFP. As celebrações na Praça Vermelha são um evento crucial para Putin, que busca reforçar a memória do triunfo soviético sobre o nazismo em 1945, ao mesmo tempo em que galvaniza o apoio da população russa à sua campanha militar na Ucrânia.

Entretanto, a insegurança persiste. Os constantes ataques de drones ucranianos levantam dúvidas entre os moradores de Moscou sobre a possibilidade de paz a curto prazo. “O fim do conflito não será em breve, por mais que todos queiramos a paz”, afirmou Elena, uma economista de 36 anos, que expressou descontentamento com a falta de internet. Daniil, um jovem de 26 anos, descreveu o dia 9 de maio como “um dia como qualquer outro”, e ao ser questionado sobre a trégua, respondeu de forma cética: “não”.

Cessar-fogo em andamento

Após duas tentativas de trégua que não foram respeitadas, Trump anunciou uma nova pausa de três dias a partir deste sábado. “Esperemos que seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”, escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social, mencionando uma “troca” de 1.000 prisioneiros de cada país como parte do acordo.

Trump acredita que o término da guerra está “cada vez mais próximo”, enquanto conversas entre negociadores ucranianos e americanos foram retomadas na Flórida. O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, expressou expectativa pela chegada de enviados de Washington nas próximas semanas, após um período em que as discussões ficaram em segundo plano devido ao início das hostilidades no Oriente Médio.

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