Projeto bilionário para revitalização do Moinho Fluminense pode levar até 10 anos para sair do papel
A revitalização do Moinho Fluminense, conjunto histórico localizado na Gamboa, na Região Portuária do rio de janeiro, pode levar cerca de dez anos para ser concluída. O antigo complexo industrial, reconhecido como a primeira fábrica de derivados de trigo do Brasil, será transformado em um grande empreendimento residencial, corporativo e turístico, conforme projeto bilionário em desenvolvimento.
Projeto multissetorial em destaque
A iniciativa é liderada pela gestora Autonomy Capital, em parceria com o empresário francês Alexandre Allard, responsável pelo Cidade Matarazzo e o hotel Rosewood, ambos em São Paulo. O projeto, batizado de Mata Maravilha, pretende converter o antigo moinho em um megacomplexo que integrará hotel, residências, escritórios e áreas verdes, alinhado à recente valorização imobiliária da região portuária.
David Ventoso, sócio da Autonomy, revelou que o cronograma para a execução do empreendimento está estimado em uma década. Em entrevista ao jornal O Globo, ele destacou o potencial do Rio de Janeiro para receber projetos de grande escala e ressaltou a importância do empreendimento para a revitalização urbana. “É uma oportunidade única de realizar um projeto de relevância global, capaz de renovar uma das áreas mais bonitas da cidade”, afirmou.
Torres verdes e floresta urbana
O Mata Maravilha prevê a construção de duas torres residenciais com cerca de 70 andares e aproximadamente 200 metros de altura. Essas edificações serão envolvidas por vegetação nativa da Mata Atlântica, criando um conceito arquitetônico sustentável e integrado à natureza. Além das residências, o complexo contemplará um hotel, espaços corporativos e instalações voltadas à inovação e tecnologia.
O projeto também inclui a criação de um campus para empresas, coworkings, incubadoras e centros de convenções, com foco em atividades ligadas à economia criativa e tecnologia verde. Uma grande floresta urbana será implantada em uma área de aproximadamente 10 hectares, com cerca de 40 mil árvores e arbustos, conectada por sete quilômetros de caminhos de areia que ligarão diferentes setores do empreendimento e avançarão até as margens da Baía de Guanabara, atravessando terrenos pertencentes à União.
Etapas administrativas e negociações
A implementação do projeto ainda depende da aprovação de etapas administrativas e legislativas. Recentemente, a Prefeitura do Rio iniciou conversas com sua base aliada na Câmara Municipal para discutir as mudanças urbanísticas necessárias que permitam a construção das torres previstas no empreendimento.
O terreno onde está localizado o Moinho Fluminense é propriedade da Autonomy desde 2019, quando o complexo foi adquirido com o compromisso de apresentar um plano de revitalização. A demora no avanço das propostas levou a prefeitura a anunciar a possibilidade de desapropriação em 2024, mas a incorporadora obteve uma nova chance para apresentar o projeto atual.
Histórico do Moinho Fluminense
Inaugurado em 1887 com alvará assinado pela Princesa Isabel, o Moinho Fluminense foi o primeiro moinho de trigo do Brasil. Situado na Rua Sacadura Cabral, o conjunto arquitetônico reúne cinco edifícios que ocupam mais de 10 mil metros quadrados. Durante décadas, foi considerado um dos complexos industriais mais modernos da América Latina.
Em 1914, o empreendimento foi adquirido pela multinacional Bunge, que manteve as operações no local por mais de 100 anos. Em 2011, as fachadas históricas foram restauradas no contexto das obras do Porto Maravilha. As atividades foram transferidas para Duque de Caxias em 2016, deixando o complexo sem uso desde então.
