Jovem é condenado por matar pai após agressão sexual à irmã
Moisés Martínez, de 28 anos, foi condenado a 12 anos de prisão por assassinar seu pai, Carlos, ao disparar 14 tiros contra ele. O crime ocorreu em Montevidéu, capital do Uruguai, após Moisés descobrir que Carlos abusava de suas irmãs e de sua mãe. O jovem permaneceu ao lado do corpo do pai por dois dias antes de se entregar à polícia. O caso gerou grande repercussão e o julgamento foi transmitido ao vivo, atraindo a atenção da população.
A história de abuso familiar começou quando Sara Martínez, irmã de Moisés, denunciou seu pai aos 12 anos, após testemunhar o abuso da irmã mais velha, Ana. Ela relatou à BBC News que escreveu “abuso sexual” em um papel e entregou a uma colega, que levou a denúncia à diretora da escola.
Sara compartilhou que, após a denúncia, enfrentou experiências traumáticas, especialmente durante os interrogatórios realizados por especialistas. Carlos foi condenado a três anos de prisão, mas cumpriu apenas um. Segundo ela, os abusos físicos e sexuais ocorriam há anos, geralmente quando a mãe saía para trabalhar. Após as agressões, Carlos tentava se redimir oferecendo um alfajor, doce de que Sara gostava. “Hoje eu nem consigo comer”, desabafou.
Após a prisão, a família não permitiu que Carlos voltasse a morar com eles, mas ele continuou a aparecer na escola de Sara e, posteriormente, em seu local de trabalho. Moisés só tomou conhecimento da gravidade dos abusos em maio de 2025, após conversas com sua mãe e irmãs, quando soube que o pai havia cometido agressões físicas e sexuais por anos.
Sara tentou dissuadir o irmão de confrontar Carlos, revelando detalhes das violências para mostrar “do que o pai era capaz”. No entanto, Moisés decidiu procurá-lo. No dia seguinte, ele matou Carlos e, após o crime, ficou ao lado do corpo até se entregar à polícia.
O julgamento de Moisés, que gerou um intenso debate sobre violência doméstica no Uruguai, resultou em uma condenação de 12 anos. A defesa tentou argumentar que o crime foi cometido sob “intensa comoção” devido à violência doméstica prolongada, mas a juíza María Noel Odriozola rejeitou o pedido, afirmando que a família não buscou mecanismos de proteção durante os 15 anos anteriores aos acontecimentos.
A condenação levantou questões sobre a eficácia do sistema de proteção contra a violência doméstica no Uruguai, estimulando um debate público sobre o assunto e a atuação do Estado nesses casos.
