Irã descarta reabertura do Estreito de Ormuz após apreensão de dois navios
A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um aviso severo contra qualquer ação que contrarie as diretrizes da República Islâmica no Estreito de Ormuz, ressaltando que também se opõe a atividades que possam comprometer a segurança da navegação nessa importante via marítima.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou nesta quarta-feira (22) que não há previsão para a reabertura do estreito enquanto o bloqueio americano sobre os portos do Irã persistir. A chancelaria iraniana ainda não se manifestou sobre a extensão do cessar-fogo.
Essa situação ocorre em meio ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na terça-feira passada comunicou uma prorrogação indefinida do cessar-fogo para facilitar as negociações. Entretanto, a tensão permanece alta no Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o comércio global de hidrocarbonetos.
Nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária informou que suas forças navais interceptaram dois navios mercantes que tentavam atravessar o estreito, que está bloqueado desde o início do conflito em 28 de fevereiro, após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
Trump também mencionou a possibilidade de um segundo ciclo de conversas entre os Estados Unidos e o Irã, que poderia ocorrer nos próximos três dias, conforme divulgado pelo jornal The New York Post. “É possível!”, respondeu Trump via mensagem de texto quando questionado sobre informações vindas do Paquistão sobre um novo encontro em Islamabad nas próximas 36 a 72 horas.
A Guarda Revolucionária, que tem como missão proteger a República Islâmica, emitiu um comunicado afirmando que apreendeu “dois navios infratores” no Estreito de Ormuz. A Casa Branca declarou que a apreensão não infringe o cessar-fogo, uma vez que os navios não pertenciam a países americanos ou israelenses. “Eram embarcações internacionais”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, à Fox News.
Reabertura temporária
No dia 17 de setembro, o estreito foi reaberto, mas no dia seguinte, o Irã confiscou dois navios que tentaram passar pela passagem, levando-os para suas águas territoriais. Em resposta a essa tentativa de invasão, o país anunciou que o estreito seria fechado novamente.
A Guarda Revolucionária reforçou que todos os navios devem obter autorização para entrar ou sair do Golfo pelo Estreito de Ormuz, uma rota que, em tempos de paz, representa 20% das exportações mundiais de petróleo e gás, além de outros produtos essenciais.
