Incêndios na Gironda põem em risco indústrias estratégicas e impactam economia local
Focos de incêndio no sudoeste da França forçam evacuações e afetam grandes empresas de defesa e aeronáutica em Bordéus.
Incêndios na Gironda no sudoeste da França desencadearam evacuações e mobilizaram esforços para proteger bases militares e instalações industriais estratégicas em Bordéus desde 22 de julho de 2026.
O fogo atinge áreas onde operam empresas como ArianeGroup, Dassault Aviation, Airbus Atlantic e Roxel, especializadas em sistemas de propulsão e fabricação aeronáutica. A situação obrigou a transferências de equipamentos sensíveis e à suspensão parcial das atividades em várias dessas fábricas.
Respostas das empresas e governo O Ministério da Defesa mobilizou cerca de 1.500 militares para apoiar a contenção dos incêndios e proteger os complexos industriais. A ArianeGroup mantém contato constante com autoridades para assegurar a proteção de seus locais. Roxel e Dassault Aviation adotaram medidas para salvaguardar seus funcionários e infraestrutura, incluindo o deslocamento de materiais para áreas consideradas mais seguras.
A Airbus Atlantic também evacuou equipes de sua unidade em Salaunes, que produz componentes para os aviões Airbus A220 e A350.
Impactos econômicos O incêndio devastou cerca de 42 mil hectares na Gironda e provocou a evacuação de aproximadamente 220 mil pessoas, além da destruição de cerca de 240 residências. A região concentra mais de 13 mil empresas, incluindo milhares de pequenos negócios, que enfrentam paralisações devido às ordens de evacuação.
A Câmara de Comércio e Indústria de Bordéus-Gironda estima que cerca de 130 mil trabalhadores estão impedidos de atuar normalmente. O ministro da Economia, Roland Lescure, classificou os incêndios como um impacto econômico abrupto para uma área que já enfrentava desafios.
Setores afetados e medidas de apoio Empresas de turismo enfrentam cancelamentos e interrupções, enquanto a indústria madeireira, fundamental na região das Landes de Gascogne, sofre prejuízos. O setor madeireiro emprega cerca de 56 mil pessoas e gera um faturamento anual em torno de 10 bilhões de euros.
Para mitigar os efeitos, o governo francês anunciou suporte emergencial, incluindo a possibilidade de regimes de desemprego parcial subsidiados para as empresas nas áreas de evacuação. A France Assureurs prorrogou o prazo para pedidos de indenização até 31 de agosto. Uma reunião no Ministério da Economia está prevista para definir medidas adicionais.
Qualidade dos vinhos e perdas não seguradas Apesar de as vinhas de Bordéus não terem sido diretamente atingidas, produtores alertam para a contaminação causada pela fumaça, que pode prejudicar as futuras colheitas.
O custo total dos incêndios deve superar as perdas visíveis e os valores cobertos por seguros. Estudo da Allianz Research indica que apenas cerca de 10% das perdas econômicas na Europa ligadas a fenômenos climáticos extremos entre 1980 e 2022 estavam seguradas.
- Área queimada: aproximadamente 42.000 hectares
- Pessoas evacuadas: cerca de 220.000
- Residências destruídas: cerca de 240
- Empresas na zona de evacuação: mais de 13.000
- Trabalhadores afetados: cerca de 130.000
- Empregos na indústria madeireira: 56.000 (34.000 na floresta das Landes de Gascogne)
- Faturamento anual da indústria madeireira: 10 bilhões de euros
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Com informações de pt.euronews.com.
