Flávio comemora decisão dos EUA sobre PCC e CV como um ‘Grande Dia’
O pré-candidato à presidência da República pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, compartilhou em sua conta na rede social X uma postagem do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que classifica as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e comando vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. Em sua mensagem, Flávio celebrou a decisão, afirmando: “Grande dia 👍”. A nova classificação das facções entra em vigor a partir de 5 de junho.
Em um vídeo posterior, o senador comentou a decisão e enviou uma mensagem ao povo brasileiro. “Durante uma viagem aos EUA, fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula. Enquanto Lula foi fazer lobby de joelhos, eu fui trabalhar”, declarou. Ele ainda afirmou que um governo que não controla seu território é conivente. “Agradeço a Trump e Rubio por atenderem rapidamente meu pedido em nome do povo brasileiro. Agora é nossa responsabilidade aqui no Brasil, e em 2027, vamos libertá-lo, porque você merece ser livre desse governo”, completou.
Reuniões em Washington
Flávio Bolsonaro esteve nos Estados Unidos na última terça-feira (26), onde se encontrou com Donald Trump e solicitou diretamente a ele a classificação das facções como terroristas. O senador enfrenta um momento difícil nas pesquisas de intenção de voto, onde sua popularidade tem caído em comparação a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a divulgação de conversas entre ele e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No dia seguinte, Flávio se reuniu com Marco Rubio e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, além de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. Após o encontro, o senador afirmou a jornalistas que a principal pauta foi a classificação das facções, uma proposta que, segundo ele, foi bem recebida por Rubio.
O comunicado oficial do Secretário de Estado, assinado por Marco Rubio, foi emitido poucas horas após a reunião em Washington. A conversa abordou temas como crime organizado, narcotráfico e segurança regional, tópicos que estão se tornando cada vez mais relevantes na estratégia dos Estados Unidos para a América Latina.
Reação do governo brasileiro
Em março, Donald Trump já havia sinalizado sua intenção de classificar essas facções como organizações terroristas internacionais durante a Cúpula Escudo das Américas. O governo brasileiro, por sua vez, manifestou-se contra essa classificação, temendo possíveis operações dos EUA em seu território. Em uma audiência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, o chanceler Mauro Vieira argumentou que as facções são criminosas por se aproveitarem de situações para extorquir e obter ganhos financeiros, e não possuem a inspiração política típica de grupos terroristas.
Implicações da classificação
Antes da oficialização da classificação, o professor de direito internacional da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), João Amorim, afirmou que a ação contra as facções brasileiras está alinhada com a postura do governo Trump. Ele destacou que o republicano tem usado o combate ao tráfico de drogas como justificativa para ações militares em outros países. Amorim lembrou que figuras como Nelson Mandela foram consideradas terroristas pelos EUA até 2008.
O professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Leandro Piquet, mencionou que a mudança na classificação impacta a forma como os EUA investigam as organizações. O Departamento de Defesa assume a liderança nas apurações, o que resulta em um confisco de bens mais ágil e medidas mais rigorosas contra os suspeitos.
As sanções podem incluir:
- Bloqueio de bens nos Estados Unidos
- Congelamento de ativos financeiros
- Cancelamento de vistos
- Possibilidade de ataques militares a alvos das facções
Amorim destacou que um país com grupos designados como terroristas se torna alvo de ações que visam desestabilizar suas estruturas governamentais. Embora essas ações estejam previstas na legislação dos EUA, ele ressaltou que a execução de atos militares caracteriza uma violação da soberania do país atacado.
A possível classificação do PCC e do CV poderá complicar as relações entre Brasil e Estados Unidos, sendo interpretada como uma interferência em assuntos internos. Isso poderia gerar uma percepção externa de falência da segurança pública brasileira e impactar o cenário eleitoral.
