Brasil reage a tarifa de 12,5% dos EUA e avalia medidas de reciprocidade
Ministro critica sobretaxa dos EUA sobre produtos brasileiros e destaca prioridades do governo para resposta e apoio a setores afetados.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, considerou “indevida” a tarifa de 12,5% que os Estados Unidos aplicaram sobre produtos brasileiros a partir de 24 de julho de 2026. A medida americana justifica-se por alegações de insuficiência do Brasil em combater a importação de produtos ligados ao trabalho forçado, argumento contestado pelas autoridades brasileiras.
Segundo o ministro, o governo buscará reverter a sobretaxa por meio do diálogo com Washington e não descarta usar a Lei de Reciprocidade Econômica para responder a medidas comerciais consideradas injustificadas. Essa legislação foi sancionada em 2026 para permitir ações em resposta a tarifas consideradas prejudiciais ao Brasil.
Márcio Elias Rosa afirmou que o país possui políticas consolidadas de combate ao trabalho escravo e é signatário dos instrumentos da Organização Internacional do Trabalho. Para ele, a nova sobretaxa é baseada em fatos que “não são reais” e não condiz com o compromisso brasileiro com direitos humanos e trabalho digno.
Produtos como carne bovina, café, suco de laranja e frutas permanecem isentos da nova tarifa e da sobretaxa anterior de 25%, com cerca de 2 mil itens exportados ao mercado americano excluídos dessas cobranças.
Entretanto, diversos setores sofrerão a incidência conjunta das tarifas, totalizando 37,5%. Entre eles estão calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos não farmacêuticos, que enfrentarão dupla tributação.
Ainda não há lista completa dos produtos que serão afetados pela cobrança acumulada. O MDIC informou que continuará avaliando os impactos para definir quais setores serão atingidos simultaneamente pelas duas tarifas.
O governo brasileiro também foca em estratégias para mitigar os efeitos da medida americana. O ministro explicou que a prioridade é apoiar os segmentos mais prejudicados, ampliar esforços para buscar novos mercados e fortalecer a estratégia jurídica e diplomática do país.
Empresas impactadas poderão acessar recursos do programa Brasil Soberano, que disponibiliza R$ 18,5 bilhões para crédito voltado a capital de giro, investimentos, inovação e abertura de mercados.
O MDIC pretende retomar negociações com os Estados Unidos em agosto, após concluir o levantamento dos impactos. De acordo com o ministro, o objetivo é evitar a aplicação das tarifas, mas o governo mantém aberto o uso dos instrumentos legais para proteção da economia brasileira, dependendo da evolução das conversas.
- Tarifa EUA: novo imposto de 12,5% sobre produtos brasileiros
- Tarifa anterior: 25% aplicada desde início de julho de 2026
- Produtos isentos: carne bovina, café, suco de laranja, frutas e cerca de 2 mil itens no total
- Setores afetados: calçados, máquinas, equipamentos, confecções e produtos químicos não farmacêuticos
- Programa Brasil Soberano: R$ 18,5 bilhões para suporte a empresas
- Próximos passos: diálogo com EUA e avaliação de medidas de reciprocidade
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