Kallas cobra livre navegação em Ormuz após reunião com o Irã
Chefe da diplomacia da União Europeia também pressionou Teerã sobre execuções e defendeu negociações para encerrar a guerra com os EUA.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, defendeu a retomada da navegação livre e sem cobranças pelo Estreito de Ormuz após se reunir com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em Nova York. O encontro ocorreu à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas e incluiu discussões sobre caminhos diplomáticos para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã.
Em uma publicação na rede social X, Kallas afirmou que os navios não deveriam ter de pagar para atravessar o estreito depois do fim do conflito. Segundo ela, antes da guerra não havia portagens ou taxas, e a passagem deve ser “livre e sem obstáculos” tanto em Ormuz quanto no Estreito de Bab al-Mandab, no sul do Mar Vermelho.
A posição europeia contrasta com regras aprovadas pelo Parlamento iraniano, que preveem multas para navios que atravessem Ormuz sem autorização. O estreito é citado nas conversações como um dos pontos ligados à possibilidade de uma reabertura plena da rota marítima.
Negociações entre Washington e Teerã
O encontro entre Kallas e Araghchi ocorreu enquanto negociadores norte-americanos e iranianos mantêm conversações indiretas em Nova York. A delegação dos Estados Unidos é liderada pelos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner, enquanto Araghchi representa o Irã.
Witkoff afirmou que os dois lados concluíram com sucesso uma rodada de discussões, e uma nova etapa deve ocorrer em breve. Em discurso na Assembleia Geral, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que enfrentava uma “grande decisão” sobre a possibilidade de fechar um acordo com o Irã. O material da Euronews, porém, aponta que as posições dos dois países ainda permanecem distantes.
As forças houthis, apoiadas pelo Irã, também intensificaram ataques contra a Arábia Saudita, segundo o relato, abrindo uma segunda frente no conflito iniciado em fevereiro.
Execuções e críticas do Irã à Europa
Kallas disse ainda ter abordado com Araghchi o aumento do número de execuções e de condenações à morte no Irã. A reunião fez parte de uma agenda europeia em Nova York voltada à defesa do direito internacional, da Carta da ONU, da soberania dos países e da integridade territorial.
Araghchi também se reuniu com o ministro das Relações Exteriores dos Países Baixos, Tom de Bruijn. De acordo com um comunicado divulgado pelo canal do ministro iraniano no Telegram, Araghchi criticou o que classificou como “dualidade de critérios” dos países europeus diante da situação regional. Ele acusou os governos europeus de silêncio e apaziguamento em relação ao que chamou de ações agressivas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
De Bruijn ressaltou a importância da diplomacia e apresentou a posição de seu país sobre os acontecimentos na região e as relações entre o Irã e a Europa.
