Aliança de Trump mira 24 grupos criminosos nas Américas
Coalizão de 15 governos anunciou congelamento de ativos e restrições de visto, mas medidas ainda dependem das leis de cada país.
Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos anunciou medidas para atingir 24 organizações criminosas apontadas como ameaças à estabilidade do Hemisfério Ocidental. O grupo, chamado Shield of the Americas, pretende adotar congelamento de ativos, restrições de visto e processos criminais contra integrantes e apoiadores dessas organizações.
O anúncio ocorreu após uma reunião convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na terça-feira (22), em Nova York, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo a Al Jazeera, Trump pediu aos países participantes que classifiquem os grupos como “narcoterroristas” e prometeu empregar uma força militar sem precedentes contra os cartéis.
A declaração conjunta foi assinada pelos 15 governos que integram a aliança. Entre os grupos citados estão a Mara Salvatrucha (MS-13), uma das principais gangues da América Central, e o Tren de Aragua, originário da Venezuela e com atuação também na Colômbia, no Peru e no Chile.
A relação inclui ainda cartéis mexicanos, grupos armados colombianos como o Exército de Libertação Nacional (ELN), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, do Brasil, além do Sendero Luminoso, do Peru.
Medidas ainda dependem de aprovação nacional
O correspondente da Al Jazeera Alessandro Rampietti, em Bogotá, avaliou que a declaração tem caráter principalmente simbólico neste momento. Cada país precisará cumprir seus próprios procedimentos legais para aplicar as sanções. Na Colômbia, por exemplo, a adoção das medidas exigiria a aprovação de uma lei pelo Congresso.
A coalizão reúne governos considerados próximos de Trump, como Argentina, Equador e El Salvador. Colômbia e Peru passaram a integrar o grupo depois que presidentes alinhados ao governo americano chegaram ao poder, segundo a reportagem. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também participou do encontro e defendeu a atuação de líderes dispostos a enfrentar o que chamou de terrorismo transnacional.
Pressão militar e reação regional
O encontro é mais uma iniciativa da administração Trump para ampliar a cooperação regional contra o tráfico de drogas. Desde que voltou à Presidência no ano passado, o mandatário designou cartéis como organizações terroristas estrangeiras e ordenou dezenas de ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental. Autoridades americanas afirmam que os barcos transportavam drogas com destino aos Estados Unidos.
Os ataques deixaram mais de 223 mortos, de acordo com o material da Al Jazeera. Especialistas da Organização das Nações Unidas afirmam que as operações violam o direito internacional e podem configurar crimes contra a humanidade.
A estratégia americana também prevê uma versão reformulada da Doutrina Monroe, política do século 19 associada à primazia dos Estados Unidos no continente. O enfoque provocou preocupação na região. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu os países da América Latina e do Caribe contra novas “tentações hegemônicas”.

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