Presidente do Banco Central se reúne com direção do BRB em meio a atraso no pacote de socorro financeiro
Gabriel Galípolo encontrou Nelson Antônio de Souza para discutir questões institucionais durante processo de resgate financeiro do BRB.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), recebeu no dia 27 de julho o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, em reunião fechada que durou cerca de uma hora. Participaram também o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, e a diretora de Controle e Riscos do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa. Segundo a agenda oficial, o encontro tratou de assuntos institucionais, sem divulgação de detalhes pelo BRB.
Contexto da reunião:
O BRB está em processo de reorganização após ter sido impactado por perdas relacionadas às operações com o Banco Master. Para mitigar essas perdas, o Governo do Distrito Federal (GDF) firmou um acordo, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para um pacote de socorro financeiro no valor de R$ 6,6 bilhões. Esse montante é parte do esforço para cobrir prejuízos atribuídos às operações com o Banco Master.
Detalhes do pacote de socorro:
- Valor homologado pelo STF: R$ 6,6 bilhões;
- Recursos próprios do GDF: R$ 2,2 bilhões, com ajustes nas contas públicas e cortes de investimentos;
- Condições pendentes: assinatura de contratos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), formalização de contragarantias à União e conclusão das auditorias financeiras do BRB.
Desafios nas negociações:
O processo enfrenta resistência das instituições bancárias privadas envolvidas, que solicitam garantias da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para assegurar o aporte. Essa exigência implica que os bancos federais assumam riscos caso haja inadimplência do BRB. o banco trabalha para melhorar sua liquidez, mas o cancelamento recente de um acordo de R$ 15 bilhões com a gestora Quadra Capital dificultou esse avanço. Esse acordo visava trocar ativos de baixa liquidez relacionados ao Banco Master por ativos líquidos, com pagamento parcial à vista e constituição de fundo de investimento.
Exigências regulatórias:
A divulgação das demonstrações financeiras do BRB referentes a 2025 ainda não ocorreu, o que é condicionante para a liberação do socorro financeiro. A apresentação do balanço e a finalização das auditorias independentes são obrigações vinculantes para a operação. Enquanto esses documentos não são entregues, o banco está sujeito a sanções do Banco Central, incluindo multas.
Encontros anteriores:
Em 14 de julho, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, participou de reunião com Galípolo e Nelson Antônio de Souza, definida como técnica e sem divulgação do conteúdo das discussões.
Declaração do ministro da Fazenda:
Dario Durigan relatou que o patrimônio do BRB sofreu impacto devido a carteiras de baixa qualidade adquiridas vinculadas ao Banco Master. Ele afirmou que o banco transferiu aproximadamente R$ 12 bilhões ao Banco Master e recebeu em troca ativos sem valor, indicando perdas bilionárias nas operações.
