Comissão da Câmara solicita aumento na segurança de Vorcaro
A Comissão de segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou, na última terça-feira (17), o envio de um ofício ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, além da Polícia Federal, solicitando “medidas extraordinárias de segurança” para Daniel Bueno Vorcaro, que se encontra detido na Penitenciária Federal de Brasília.
O pedido foi apresentado pelo deputado Messias Donato (Republicanos-ES) e destaca a importância de proteger a integridade física do ex-controlador do Banco Master, que está sob custódia desde 4 de março devido à 3ª fase da Operação Compliance Zero. O documento completo do requerimento está disponível em formato PDF.
Na justificativa, o deputado menciona que Vorcaro é alvo de investigações relacionadas ao que ele classifica como “o maior escândalo financeiro da história do Brasil”. O parlamentar aponta que as investigações agora incluem suspeitas sobre a atuação do grupo A Turma, que foi contratado por Vorcaro para oferecer serviços ao ex-banqueiro.
Risco de interferências externas
O ofício também revela indícios de acesso não autorizado a informações e sistemas sensíveis de órgãos públicos, o que, segundo Donato, poderia aumentar o risco de interferências externas e retaliações durante as investigações.
Esse alerta surge em um contexto em que a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, na última sexta-feira (13), manter Vorcaro em uma unidade de segurança máxima. O relator do caso, ministro André Mendonça, afirmou que a polícia “comprovou a prática de atos de ameaças concretas” por parte do grupo A Turma. O ministro destacou que o grupo “continua a representar uma ameaça latente, pois possui integrantes que ainda estão soltos”. Os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o voto, enquanto Gilmar Mendes ainda não se manifestou sobre o caso, com prazo até 20 de março. Dias Toffoli se declarou suspeito em processos relacionados à Operação Compliance Zero.
O requerimento da comissão argumenta que, embora Vorcaro esteja preso, isso não elimina os riscos que ele enfrenta, podendo até agravar a situação. O texto sugere que ele poderia se tornar um alvo para antigos aliados ou outras pessoas interessadas em evitar que ele faça delações sobre métodos, cadeia de comando e possíveis ligações com políticos e magistrados.
Contexto de pressão
O documento também menciona o caso de Luiz Philippe Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, um funcionário de Vorcaro que, segundo a acusação, fazia parte do grupo. Ele foi encontrado morto em 6 de março, após ter tentado suicídio logo após a prisão, em um ambiente descrito como de “forte pressão e instabilidade”.
Messias Donato reforça que a preocupação com a segurança dos envolvidos já havia sido registrada por Mendonça na decisão que embasou a prisão cautelar de Vorcaro.
Em uma outra frente do caso, o ministro determinou na segunda-feira (16) que a Polícia Federal retirasse da documentação enviada à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) informações que se referem exclusivamente à vida pessoal de Vorcaro, após vazamentos de dados extraídos de seu celular. Essa ordem reforçou a ideia de que a quebra de sigilo não legitima a divulgação irrestrita do material obtido durante as investigações.
