Flávio busca distanciamento de aliado após declarações polêmicas sobre eleitorado feminino
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou mitigar os efeitos da crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e as polêmicas declarações do influenciador Paulo Figueiredo sobre o voto feminino durante um café da manhã com mulheres conservadoras em Brasília. O evento, realizado no Lago Sul, pretendia estreitar laços com o eleitorado feminino, mas ficou marcado pela ausência de importantes figuras femininas do bolsonarismo e pelo esforço do senador em se distanciar de aliados.
A crise teve início após um vídeo em que Michelle Bolsonaro foi criticada por Figueiredo, que afirmou que “mulher vota muito mal” e fez comentários depreciativos sobre feministas. Após essas declarações, Michelle decidiu deixar a liderança do PL Mulher.
Diante da repercussão negativa, Flávio se posicionou: “Quero repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Não concordo com o que ele disse. Ele está completamente equivocado. Embora ele nos ajude muito nos Estados Unidos, suas palavras não refletem minha opinião”, declarou.
Ausências notáveis
Além de Michelle, não compareceram ao encontro as senadoras:
- Damares Alves (republicanos-DF)
- Tereza Cristina (PP-MS)
- Margareth Buzetti (PP-MT)
Estiveram presentes:
- Bia Kicis (PL-DF)
- Júlia Zanatta (PL-SC)
- Chris Tonietto (PL-RJ)
- Daniela Reinehr (PL-SC)
- Soraya Santos (PL-RJ)
- Daniella Marques, ex-presidente da Caixa
- Priscilla Costa (PL-CE), cogitada para liderar o PL Mulher
O evento também contou com a presença de líderes masculinos da campanha, como Carlos Portinho (PL-RJ), Rogério Marinho (PL-RN) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A presença de Sóstenes ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Federal desencadeou a terceira fase da Operação Rent a Car, que investiga pessoas ligadas ao deputado por suspeitas de peculato e lavagem de dinheiro, embora ele não tenha sido alvo das ações.
Reunião estratégica
Na abertura do encontro, Flávio fez uma menção à ex-primeira-dama, elogiando seu trabalho no PL Mulher e afirmando que sua campanha continua de portas abertas para ela. Em seguida, abordou as declarações de Figueiredo, enfatizando sua preocupação com a generalização de comentários sobre as mulheres.
“O que ele disse me ofendeu, pois inclui minha esposa. Se as pesquisas mostram que muitas mulheres não estão votando conosco, a responsabilidade é minha. Temos que melhorar nossa comunicação”, afirmou.
A necessidade de responder a essa situação é crucial, considerando que Flávio enfrenta desafios semelhantes aos enfrentados por seu pai, Jair Bolsonaro (PL), em 2022: a dificuldade de conquistar o eleitorado feminino, que representa 52,83% dos votantes e é essencial para a disputa presidencial.
Desafios na pré-campanha
Aliados reconhecem que a ruptura pública com Michelle dificulta ainda mais a aproximação desse eleitorado. O café da manhã tinha como objetivo restaurar essa conexão, mas foi ofuscado pelas ausências e pela necessidade de gerenciar as consequências das declarações de Figueiredo.
Quem é Paulo Figueiredo
Paulo Figueiredo, influenciador bolsonarista e neto do último presidente da ditadura militar, João Baptista Figueiredo, é um aliado próximo de Flávio e Eduardo Bolsonaro. Nos últimos meses, ele tem atuado nas articulações do grupo junto ao governo dos Estados Unidos e se destacou nas negociações relacionadas ao aumento de tarifas sobre produtos brasileiros.
Embora Flávio tenha insistido que Figueiredo “não faz parte da nossa campanha”, ele é considerado uma figura importante da extrema-direita. Ambos estarão nos Estados Unidos em julho para discutir a imposição de uma sobretaxa de 25% ao Brasil, o que gerou reações negativas do governo Lula, que os classificou como “traidores da pátria”.
