Díaz-Canel alerta para ‘banho de sangue’ em caso de invasão dos EUA a Cuba
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, defendeu na segunda-feira (18) o direito da ilha de se proteger, em resposta a uma reportagem que revelou a aquisição de mais de 300 drones militares da Rússia e do Irã. A declaração ocorre em meio a uma escalada das tensões entre Havana e Washington, que impôs novas sanções à principal agência de inteligência cubana e a vários de seus líderes.
Díaz-Canel alertou que uma possível invasão por parte dos Estados Unidos resultaria em um “banho de sangue”. Em um post nas redes sociais, ele enfatizou que Cuba tem “o direito absoluto e legítimo de se defender de uma ofensiva bélica”, ressaltando que tal justificativa “não pode ser usada como desculpa para impor uma guerra” ao povo cubano.
A reportagem do site de notícias Axios sugere que Havana estaria considerando utilizar os drones contra uma base militar americana localizada na Baía de Guantánamo e outras alvos. Essa informação surge em um contexto de crescente especulação sobre uma possível ação militar do governo do ex-presidente Donald Trump para derrubar o regime comunista cubano.
Entre as alegações, destacam-se que navios militares dos Estados Unidos, e possivelmente até mesmo o estado da Flórida, poderiam ser alvos de ataques com drones, evidenciando o que um funcionário anônimo descreveu como uma “ameaça crescente” que Cuba representa.
Em entrevista à AFP em Nova York, o embaixador cubano na onu, Ernesto Soberón, afirmou que a ideia de um ataque cubano aos Estados Unidos “não faz sentido” e acusou Washington de “fabricar um pretexto” para justificar uma intervenção militar.
Sanções adicionais
A pressão de Washington sobre Havana aumentou com a imposição de sanções que afetaram a agência de inteligência cubana e nove cidadãos, incluindo ministros das Comunicações, Energia e Justiça, além de altos funcionários do Partido Comunista e generais.
Trump caracteriza Cuba, situada a 150 quilômetros da costa da Flórida, como uma “ameaça excepcional” à segurança nacional americana, fazendo repetidas ameaças de “tomar o controle” da ilha e sugerindo até o envio de um porta-aviões.
A recente queda de Nicolás Maduro na Venezuela, aliado de Cuba, levou Washington a interromper o fornecimento de petróleo venezuelano à ilha, além de ameaçar sanções a países que forneçam combustível a Cuba. Desde 1962, a ilha vive sob um embargo americano, recebendo apenas um navio-tanque russo desde o início deste ano.
O bloqueio de petróleo imposto por Trump intensificou a crise econômica cubana, que já enfrenta sérias dificuldades, como escassez de alimentos, medicamentos e apagões prolongados.
Recentemente, um novo envio de ajuda humanitária do México chegou a Cuba, sendo a quinta carga enviada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum desde fevereiro. Diferentemente das remessas anteriores, que foram transportadas pela Marinha mexicana, esta foi realizada por um navio mercante e trouxe 1.700 toneladas de suprimentos, incluindo leite em pó e feijão, destinados a crianças e idosos.
A situação em Cuba continua a evoluir, com as tensões entre os dois países aumentando e a população enfrentando desafios significativos.
