Trump admira postura firme de Lula, afirma ex-embaixador nos EUA
O ex-embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, avaliou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstra respeito por líderes que se impõem, como o presidente Lula, enquanto trata com desdém aqueles que considera inferiores. A declaração foi feita em uma entrevista à CartaCapital.
Na última quinta-feira, 7, Lula e Trump se encontraram em Washington por aproximadamente três horas. Após a reunião, o presidente americano compartilhou uma mensagem nas redes sociais, elogiando o petista como “um presidente muito dinâmico”. A imagem oficial do encontro, com ambos sorrindo, também foi vista como favorável aos interesses brasileiros.
Tratamento desigual
Abdenur destacou um contraste significativo entre a recepção de Lula e a humilhação pública imposta por Trump ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em fevereiro de 2025, durante uma visita ao Salão Oval. O ex-embaixador resumiu a postura de Trump: “Ele desmerece quem se apresenta a ele em busca de algo e que considera ‘inferior’”.
O diplomata ressaltou que Lula foi, até então, o único líder a desafiar Trump, o que lhe conferiu respeito. “Ele valoriza aqueles que se mostram firmes e altivos, como Lula, que nunca se submete”, completou.
Relações Brasil-EUA
Abdenur considerou a visita de Lula uma vitória importante para o “relançamento” das relações entre Brasil e Estados Unidos. Ele observou que a nova postura do presidente brasileiro altera a dinâmica entre o bolsonarismo e o governo americano. “Os bolsonaristas não têm mais acesso privilegiado aos altos escalões do trumpismo”, afirmou.
O ex-embaixador também mencionou um aspecto menos destacado da viagem: “Lula superou o antigo ranço antiamericano do PT”.
Preocupações persistentes
Apesar dos avanços, Abdenur expressou preocupação com o secretário de Estado, Marco Rubio, que vê Lula como um “perigoso esquerdista”. “Com ele, ainda podemos enfrentar problemas”, alertou.
Roberto Abdenur possui uma longa carreira diplomática, iniciada em 1963 no Itamaraty, e se afastou em 2007. Ele foi testemunha de eventos históricos, desde a Guerra Fria até a invasão do Iraque, incluindo o colapso da União Soviética. Durante sua representação na gestão Lula, lidou com a resistência da Casa Branca ao primeiro governo de esquerda do Brasil pós-redemocratização, resultando em uma relação mais harmoniosa com George W. Bush.
