Pablo Marçal lança candidatura ao Senado e intensifica divisão na direita em SP
A candidatura de Pablo Marçal ao Senado por São Paulo, mesmo diante de sua inelegibilidade, está provocando tensões no setor da direita no estado. Recentemente filiado ao União Brasil, Marçal é considerado por membros do partido como um ativo eleitoral significativo. No entanto, sua entrada na disputa pode comprometer acordos já estabelecidos e gerar conflitos com aliados do governador Tarcísio de Freitas (republicanos).
Estratégia conturbada
Nos bastidores, o União Brasil considera a possibilidade de lançar Marçal como candidato, apesar de sua condenação na Justiça Eleitoral. A expectativa é que ele possa reverter a decisão no tribunal superior eleitoral ou que sua candidatura permaneça sob análise judicial. Contudo, essa estratégia enfrenta resistência dentro da própria direita paulista, especialmente porque poderia prejudicar a candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), atualmente um dos principais nomes cotados para a vaga ao Senado na chapa governista, ao lado de Mello Araújo (PL) ou Ricardo Salles (Novo).
Divisões internas
Esse movimento pode ser interpretado como um “golpe” contra a federação União Progressista, que inclui os partidos União Brasil e PP. Apesar da aliança eleitoral, as siglas devem se posicionar como adversárias em cargos majoritários, não apenas em São Paulo, mas em outros estados. Nos bastidores, a resistência a Marçal tem levado alguns congressistas a chamarem o partido de “Desunião Brasil”.
Potencial eleitoral
Marçal é visto como uma ferramenta para que o União Brasil ganhe destaque em São Paulo, sendo reconhecido por sua forte presença digital e capacidade de mobilização. Com aproximadamente 13 milhões de seguidores nas redes sociais, ele é considerado internamente um potencial puxador de votos, especialmente se decidir concorrer à Câmara dos Deputados.
Entrave jurídico
Entretanto, o obstáculo jurídico persiste. Marçal foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo por irregularidades na campanha municipal de 2024, que incluem uso indevido dos meios de comunicação e práticas que configuram abuso de poder econômico. Essa condenação o torna inelegível por oito anos, embora ele acredite que ainda haja possibilidade de reversão no TSE.
Futuro indefinido
Apesar das incertezas, Marçal não define claramente qual cargo pretende disputar. Em declarações recentes, ele mencionou que buscará “o que der mais resultado” e se posicionou como aliado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A indefinição sobre sua candidatura gera mais confusão entre os partidos e lideranças que tentam formar uma chapa competitiva em São Paulo. Além da possível substituição de Derrite, interlocutores alertam que a candidatura de Marçal pode dificultar a formação de alianças e fragmentar ainda mais o campo conservador no estado.
