Gaspar conclui relatório da CPMI do INSS e foca no governo Lula

O relatório final da CPMI do inss, que conta com quase seis mil páginas, será apresentado na próxima quarta-feira, dia 25, pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL). Durante a sessão, Gaspar fará uma leitura resumida do documento, que deve ser votado no dia seguinte.

A situação, no entanto, pode mudar dependendo da decisão do ministro André Mendonça, do supremo tribunal federal. Ele analisará um mandado de segurança que pede a prorrogação dos trabalhos da CPMI por mais 60 dias. Até o momento, os membros da comissão acreditam que o ministro deverá negar o pedido.

Indiciamentos previstos

Na apresentação, Gaspar tem a intenção de destacar “fatos, dados e provas” que justificam o indiciamento de mais de 200 pessoas. O relatório aponta que houve uma suposta conivência do governo Lula (PT) com as fraudes no INSS, além de um aumento dos crimes contra aposentados e pensionistas desde a posse do atual presidente, em 2023. No entanto, a análise das fraudes começa a partir de uma perspectiva oposicionista, que responsabiliza a administração atual pela escalada dos descontos associativos.

Conforme as investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, as fraudes tiveram início em 2017, durante o governo de Michel Temer (mdb), e se intensificaram entre 2019 e 2021, durante a presidência de Jair Bolsonaro (PL). Nesse período, a maioria dos acordos entre associações e seus membros foi registrada.

Com a chegada de Lula ao poder e a nomeação de Carlos Lupi (pdt) como ministro da Previdência, muitos dos indivíduos já sob investigação permaneceram em seus cargos no INSS. Em 2025, a Operação Sem Desconto trouxe à tona as suspeitas de fraudes, resultando em investigações de pelo menos 11 entidades durante a primeira fase da operação.

Figuras citadas no relatório

Entre os indiciamentos sugeridos por Gaspar, estão pessoas de grande notoriedade, que, segundo ele, tiveram papel significativo na perpetuação das fraudes. Um dos nomes mencionados é o de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que deve ser incluído no relatório, apesar de não ter prestado depoimento nem ter seus dados acessados pela CPMI. Sua relação com Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, é um ponto que pode justificar sua citação.

Antônio Camilo Antunes também será mencionado como criminoso no relatório, assim como o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Por sua vez, Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, terá uma participação menos destacada no documento. Ele será mencionado como alguém que observou os descontos irregulares no mercado financeiro, mas sem envolvimento direto nas fraudes em investigação.

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