Xi adverte Trump em reunião em Pequim sobre risco de conflito por Taiwan

O presidente da China, Xi Jinping, advertiu, nesta quinta-feira (14), o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, de que qualquer erro relacionado a Taiwan pode provocar um “conflito” entre as duas potências. A declaração ocorreu durante um esperado encontro em Pequim, onde Trump fez sua primeira visita ao país em quase dez anos.

Recebido com honras, incluindo um tapete vermelho no Grande Salão do Povo e uma exibição militar, Trump elogiou Xi, chamando-o de um “grande líder” e “amigo”, e expressou otimismo sobre um futuro promissor para as relações entre as nações. Contudo, o tom de Xi foi mais enfático em privado. O líder chinês enfatizou que os dois países “devem ser parceiros, não rivais”, colocando a questão de Taiwan como central nas discussões.

“A questão de Taiwan é o ponto mais importante nas relações bilaterais”, afirmou Xi, segundo a imprensa estatal chinesa. Ele alertou que, se não for tratada adequadamente, essa questão pode levar a um confronto, colocando a relação entre China e EUA em uma situação “extremamente perigosa”. A reunião durou mais de duas horas e refletiu um contraste significativo nas abordagens diplomáticas após anos de tensões comerciais e geopolíticas.

Tensões comerciais

A ilha de Taiwan continua a ser um dos principais pontos de discórdia. Embora os EUA reconheçam diplomaticamente apenas Pequim, a legislação americana exige que Washington forneça armamentos para a defesa de Taiwan. A China, que não descarta o uso da força para retomar o território autogovernado, aumentou a pressão militar na região nos últimos anos.

Após as declarações de Xi, o governo de Taipei reagiu, classificando a China como o “único risco” à paz regional e reiterando o apoio dos EUA à ilha. Na segunda-feira (11), Trump havia indicado que discutiria a venda de armas a Taiwan, uma mudança na política de não consulta a Pequim sobre o tema.

A Casa Branca descreveu as conversas iniciais como “boas”, sem mencionar Taiwan em seu comunicado. Analistas interpretam a fala de Xi como uma estratégia, com Adam Ni, editor do boletim China Neican, observando que essa “linguagem direta” é comum na política externa chinesa, mas incomum para o próprio presidente. Já Chong Ja Ian, da Universidade Nacional de Singapura, sugere que essa exigência pode representar uma oportunidade para persuadir Trump a firmar novos compromissos.

Conflito no Irã e questões econômicas

Além das tensões no Leste Asiático, a guerra no Irã também esteve em pauta. Analistas consideram esse assunto um ponto vulnerável para Trump, que quase adiou a viagem. Segundo a Casa Branca, os líderes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para assegurar o “livre fluxo de energia”. O governo americano também relatou que a China se opõe à militarização dessa importante rota marítima.

As discussões econômicas foram igualmente relevantes, com Trump demonstrando interesse em estabelecer acordos nos setores agrícola e aeroespacial. A comitiva americana incluiu empresários de destaque, como Elon Musk (Tesla) e Jensen Huang (Nvidia), que participaram de parte das reuniões. Em um gesto de abertura ao mercado internacional, Xi assegurou aos executivos que “as portas da China se abrirão cada vez mais”.

Durante um intervalo nas negociações, os dois líderes visitaram o Templo do Céu, Patrimônio Mundial da unesco, onde antigos imperadores oravam por boas colheitas. Antes do banquete de estado agendado para a noite, também foram discutidos a guerra na Ucrânia, a situação da Coreia do Norte e os esforços para estender a trégua tarifária entre China e EUA.

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