Vírus responsável por mortes em navio é originário da América do Sul
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta quarta-feira (6) que um passageiro do cruzeiro MV Hondius foi diagnosticado com hantavírus na Suíça. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em suas redes sociais.
De acordo com o comunicado, a cepa que afetou os indivíduos é a Andes, que é comumente encontrada na América do Sul. Até o momento, foram registrados três casos de infecção entre os oito suspeitos.
Surto no cruzeiro
Três mortes foram relacionadas ao surto de hantavírus a bordo do navio, que navegava de Ushuaia, na Argentina, em direção a Cabo Verde. A transmissão do vírus ocorre principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Embora a doença não seja normalmente transmissível de pessoa para pessoa, casos dessa natureza já foram documentados com a cepa dos Andes.
O que é hantavírus?
Conforme informações do Ministério da Saúde, a hantavirose é uma infecção viral aguda que, no Brasil, se manifesta principalmente como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Essa condição grave pode afetar tanto o sistema respiratório quanto o cardiovascular.
O vírus pertence à família Hantaviridae e tem como hospedeiros naturais roedores silvestres, que excretam o agente infeccioso sem apresentar sintomas ao longo de suas vidas. A infecção em humanos geralmente ocorre por inalação de aerossóis contaminados ou por contato direto com mucosas, como olhos, boca e nariz, além de ferimentos na pele ou mordidas de roedores. Embora incomum, a transmissão entre humanos já foi observada em países como Argentina e Chile, associada a uma variante específica do vírus.
Sintomas da hantavirose
Os sintomas da hantavirose podem variar desde um quadro inicial inespecífico, que inclui febre, dores no corpo e mal-estar, até formas mais severas com comprometimento pulmonar e cardíaco. Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), necessitando de atendimento médico imediato. O período de incubação pode variar de uma a cinco semanas, podendo chegar até 60 dias.
Tratamento e prevenção
Atualmente, não há tratamento específico para a infecção por hantavírus. O manejo é realizado com medidas de suporte, conforme a gravidade do caso, geralmente em ambiente hospitalar. Por ser uma doença de rápida evolução e potencialmente fatal, a hantavirose é de notificação compulsória imediata, devendo ser comunicada às autoridades de saúde em até 24 horas.
O Ministério da Saúde ressalta a importância da prevenção, especialmente para profissionais em maior risco, como trabalhadores rurais e equipes de saúde. O uso de equipamentos de proteção individual, como máscaras PFF3, luvas, aventais e óculos de proteção, é recomendado em situações de risco, além de medidas para evitar o contato com ambientes contaminados por roedores.
Com informações da AFP
