UE aprova empréstimo de US$ 106 bilhões para apoio à Ucrânia
A União Europeia (UE) aprovou, nesta quinta-feira (23), um expressivo pacote de empréstimo no valor de 90 bilhões de euros (aproximadamente US$ 106 bilhões) destinado a apoiar a Ucrânia em suas necessidades econômicas e militares nos próximos dois anos. Além disso, a entidade tomou medidas para impor novas sanções contra a Rússia em resposta ao conflito em andamento.
As sanções, que foram elaboradas no início do ano e planejadas para serem divulgadas em fevereiro, enfrentaram resistência da Hungria e da Eslováquia. Esses países têm mantido um embate com a Ucrânia desde que, em janeiro, um oleoduto que transportava petróleo russo sofreu danos, situação atribuída por autoridades ucranianas a ataques de drones russos.
A necessidade do pacote de empréstimo é urgente, visto que a Ucrânia busca estabilizar sua economia severamente afetada pela guerra e conter o avanço das forças russas. A Hungria, por sua vez, gerou descontentamento entre seus parceiros da UE ao não cumprir um compromisso assumido em dezembro relacionado à liberação de fundos.
“Hoje, o Conselho aprovou o último passo necessário para viabilizar o desembolso do empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia”, afirmou o Ministro das Finanças, Makis Keravnos. “Os desembolsos começarão o mais rápido possível, oferecendo suporte essencial para as necessidades orçamentárias mais urgentes do país.”
Retomada do fluxo de petróleo
A aprovação do empréstimo ocorreu após a normalização do fluxo de petróleo russo para a Eslováquia, através do oleoduto Druzhba, que passa pela Ucrânia. O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, elogiou o retorno do fornecimento, caracterizando-o como uma “boa notícia”. “Esperamos que uma relação séria entre a Ucrânia e a União Europeia tenha sido estabelecida”, declarou Fico.
Tanto a Ucrânia quanto a maioria de seus aliados europeus se opõem às importações de petróleo russo, que financiam a guerra do presidente Vladimir Putin contra a Ucrânia, que já dura cinco anos. Entretanto, Hungria e Eslováquia ainda dependem da Rússia para suas demandas energéticas.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que foi derrotado nas recentes eleições, acusou a Ucrânia de atrasar intencionalmente os reparos no oleoduto, uma afirmação que foi negada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Fico, por sua vez, expressou ceticismo em relação à alegação de que o oleoduto havia sido danificado, sugerindo que a questão foi utilizada como uma peça na disputa geopolítica atual.
O fluxo de petróleo foi restabelecido na manhã de quinta-feira, após um período de três meses de interrupção, conforme informado pelo Ministério da Economia da Eslováquia. Essa reabertura removeu um dos principais obstáculos à aprovação dos fundos da UE, coincidentemente durante a cúpula da entidade que acontece no Chipre.
Sanções em pauta
A UE, composta por 27 nações, inicialmente planejou usar ativos russos congelados como garantia para o empréstimo, mas essa proposta foi bloqueada pela Bélgica, onde a maior parte desses ativos se encontra.
Em dezembro, a República Tcheca, a Hungria e a Eslováquia concordaram em não obstruir a tomada de empréstimos pelos demais países da UE, desde que não fossem obrigados a participar do esquema. Contudo, Orbán desrespeitou acordos anteriores, provocando a irritação dos outros 24 países da união, especialmente em um contexto de intensificação da campanha eleitoral.
A nova rodada de sanções contra a Rússia, que estava sendo debatida desde fevereiro, finalmente foi aprovada, incluindo a proibição de serviços marítimos que auxiliam o transporte de petróleo russo e visando setores financeiros e comerciais do país. Espera-se que dezenas de embarcações que operam na frota paralela russa também sejam alvos das novas sanções.
A receita do petróleo é um pilar fundamental da economia russa, permitindo que Putin direcione investimentos para as forças armadas sem provocar uma inflação significativa para a população, além de evitar um colapso da moeda nacional.
