Trump promete destruir navios iranianos que violarem bloqueio naval

Os Estados Unidos implementaram um bloqueio aos portos do Irã após a falência das negociações de paz em Islamabad, uma decisão que já gerou tensões significativas na região. O bloqueio, que entrou em vigor na segunda-feira (13), foi anunciado por Donald Trump, que advertiu que qualquer embarcação iraniana que desrespeitar a medida será “eliminada”.

O bloqueio começou às 14h GMT (11h em Brasília) e é visto por Teerã como uma ação “ilegal” e um ato de “pirataria”. O governo iraniano alertou que, caso a medida seja mantida, a segurança de todos os portos no Golfo Pérsico estará em risco. Em resposta, Trump publicou em sua rede social que qualquer tentativa de aproximação dos navios iranianos ao bloqueio resultará em ação imediata.

Impacto no mercado de petróleo

A imposição do bloqueio teve um impacto direto no mercado de petróleo, fazendo com que os preços superassem os 100 dólares por barril. Durante uma coletiva na Casa Branca, Trump revelou que representantes iranianos entraram em contato em busca de um acordo após as negociações fracassadas. “Recebemos uma ligação da outra parte. Eles gostariam de chegar a um acordo. Com muita urgência”, afirmou, sem especificar quem eram os interlocutores.

Próximos passos para o Irã

O vice-presidente americano, JD Vance, que liderou a delegação nos diálogos, destacou que agora cabe ao Irã decidir o próximo movimento. “A bola está no campo do Irã, pois oferecemos muitas opções. Deixamos claro quais são nossas linhas vermelhas”, disse em entrevista à Fox News. Vance ressaltou que os dois principais pontos de inflexibilidade dos EUA envolvem o controle do urânio enriquecido iraniano e a implementação de um mecanismo de verificação para garantir que o Irã não desenvolva armas nucleares.

Por outro lado, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, responsabilizou os EUA pela falta de progresso nas negociações, indicando que as exigências excessivas de Washington foram um obstáculo. Ele afirmou que “infelizmente, a parte americana continuou apresentando demandas que inviabilizaram um resultado positivo”.

Tensões no Estreito de Ormuz

Desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o transporte de petróleo, que normalmente representa cerca de 20% do fornecimento global. Trump afirmou que 34 navios passaram pelo estreito no último domingo, o que, segundo ele, é o maior número desde o início do bloqueio.

A China, que depende do petróleo iraniano, pediu a restauração de uma navegação “sem obstáculos” na região, uma demanda apoiada pela Associação de Nações do Sudeste Asiático. A Organização das Nações Unidas também declarou que nenhum país tem o direito legal de bloquear a navegação em Ormuz.

Cenário de conflito

A incapacidade de um acordo entre as partes levanta preocupações sobre uma nova escalada de violência na região, especialmente após ataques do Irã a seus vizinhos e ofensivas israelenses contra o Hezbollah no Líbano. O governo paquistanês continua a trabalhar para resolver as questões pendentes, com o cessar-fogo, que termina em 22 de outubro, sendo uma “prioridade absoluta”, segundo o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi.

Conflito no Líbano

No Líbano, os ataques israelenses persistem, já que o país é considerado fora do acordo de cessar-fogo. Autoridades locais relataram quatro mortos no sul, enquanto o Exército israelense afirmou ter atacado 150 alvos do Hezbollah nas últimas 24 horas. O Hezbollah, por sua vez, anunciou ter disparado foguetes contra localidades israelenses próximas à fronteira.

Embora negociações estejam previstas para ocorrer em Washington na terça-feira, o Hezbollah pediu o cancelamento do encontro, considerando-o uma “capitulação”. O líder do movimento, Naim Qasem, fez um apelo a uma postura “histórica e heroica” para abortar as discussões.

Fonte: AFP

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