Trump encerra visita à China com acordos significativos e proposta de apoio em Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concluiu sua visita à China nesta sexta-feira (15), anunciando acordos comerciais que considera “fantásticos” e recebendo a promessa de apoio do líder chinês, Xi Jinping, para resolver a situação no Estreito de Ormuz.
Trump embarcou no Air Force One no Aeroporto Internacional de Pequim-Capital às 14h40 locais (3h40 de Brasília), após uma breve cerimônia de despedida. Durante a visita, que durou dois dias, os dois presidentes discutiram acordos econômicos em setores como agricultura, aviação e inteligência artificial, além de abordar questões geopolíticas, incluindo o conflito no Oriente Médio e a situação em Taiwan.
O presidente americano destacou que a visita, a primeira de um líder dos EUA à China em quase dez anos, trouxe resultados positivos. “Firmamos acordos comerciais excelentes, benéficos para ambas as nações”, celebrou Trump, enquanto passeava pelos jardins de Zhongnanhai, o centro do governo chinês.
Xi, por sua vez, classificou a visita como “histórica” e mencionou a criação de uma nova relação bilateral, caracterizada como uma “estabilidade estratégica construtiva”. Ele ainda prometeu enviar sementes a Trump para o Jardim das Rosas da Casa Branca.
Apoio em Ormuz
Em entrevista ao canal Fox News, Trump afirmou que Xi aceitou várias demandas dos Estados Unidos. Sobre a situação no Irã, o presidente mencionou que o líder chinês garantiu que a China não planeja fornecer apoio militar a Teerã, que tem bloqueado o Estreito de Ormuz, uma importante rota para o comércio global de petróleo.
“Ele deixou claro que não entregará equipamento militar e expressou seu desejo de ver o Estreito de Ormuz aberto, oferecendo ajuda se necessário”, comentou Trump. O Ministério das Relações Exteriores da China também se manifestou, pedindo um “cessar-fogo abrangente e duradouro” no Oriente Médio e a rápida reabertura das rotas de navegação.
Questão de Taiwan
Apesar do tom amigável das reuniões, Xi alertou Trump sobre a questão de Taiwan, uma ilha que a China considera parte de seu território. A imprensa estatal chinesa relatou que Xi advertiu que uma gestão inadequada da questão poderia resultar em um “conflito” entre as duas potências.
O secretário de Estado, Marco Rubio, reafirmou que a política dos Estados Unidos em relação a Taiwan não sofreu alterações após a reunião. Taipé agradeceu a Washington por seu contínuo apoio.
Acordos comerciais
Embora Trump não tenha detalhado os acordos alcançados, ele mencionou em sua entrevista que um dos principais compromissos foi a compra de 200 grandes aviões da Boeing pela China. Após a declaração, as ações da Boeing caíram, indicando que o mercado esperava um volume maior de compras.
Além disso, Trump afirmou que a China demonstrou interesse em adquirir petróleo e soja dos Estados Unidos. A China, principal compradora de petróleo iraniano, havia reduzido suas importações de soja americana após o aumento das tarifas impostas por Trump no ano anterior, optando por comprar do Brasil.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também revelou que Trump e Xi discutiram a necessidade de “barreiras de segurança” para o uso da inteligência artificial, destacando a importância da regulação nesse setor em crescimento.
