Trump chega à China nesta terça-feira com foco em Taiwan
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarca nesta terça-feira (12) para a China, onde se reunirá com o líder chinês Xi Jinping. O encontro abordará uma variedade de temas, incluindo a guerra no Irã, relações comerciais e a controvérsia sobre a venda de armas para Taiwan.
Trump declarou que discutirá a questão da venda de armamentos, um tema que gera forte oposição de Pequim. O governo chinês considera que a ilha, com um sistema democrático, é parte de seu território e já manifestou intenções de usar a força para reassumir o controle. Apesar de reconhecer apenas o governo de Pequim, Washington tem se tornado um aliado significativo e fornecedor de armamento para Taiwan.
“Planejo abordar esse assunto com o presidente Xi. Ele preferiria que não realizássemos essa venda”, comentou Trump a jornalistas, antes de sua viagem. A China reiterou sua oposição à venda de armas no mesmo dia.
“O posicionamento da China contra a venda de armas pelos Estados Unidos a Taiwan é claro e consistente”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em coletiva de imprensa.
Seis Garantias
As “Seis Garantias” de 1982, um pilar da política americana sobre Taiwan, estabelecem que os Estados Unidos não consultarão Pequim sobre as vendas de armamentos à ilha. Trump pareceu desconsiderar a possibilidade de uma ação militar chinesa em Taiwan, mencionando a diminuição das munições americanas após o apoio a Israel em um ataque ao Irã. Ele afirmou: “Não creio que algo semelhante vá ocorrer”.
“Estou confiante de que tudo ficará bem. Tenho uma boa relação com o presidente Xi. Ele sabe que não desejo que isso aconteça”, acrescentou.
O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan reafirmou seu compromisso de “fortalecer a cooperação” com os Estados Unidos e “desenvolver capacidades eficazes de dissuasão para manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan”.
Pressão sobre o Irã
O encontro também deve abordar a situação no Estreito de Ormuz. Segundo o New York Times, Trump pedirá a Xi que pressione o Irã para permitir a reabertura da passagem. Recentemente, o diplomata chinês Wang Yi se reuniu com o ministro das Relações Internacionais iraniano, Abbas Araghchi, em Pequim, solicitando esforços para a reabertura do estreito.
A China tem sido cautelosa em não responsabilizar o Irã pela crise no estreito, mas expressou preocupações sobre o bloqueio naval. “Os Estados Unidos estão aumentando a pressão sobre a China antes da cúpula, mirando seus laços econômicos com Teerã”, observou Lizzi Lee, do Asia Society Policy Institute.
Trump, no mês passado, alertou que aplicaria uma tarifa de 50% sobre produtos chineses se o país fornecer assistência militar ao Irã. Apesar de ser um parceiro próximo da república islâmica, a China classificou como ilegais os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel que iniciaram a guerra em 28 de fevereiro. Ao mesmo tempo, Pequim criticou os ataques iranianos a países do Golfo e pediu a reabertura do Estreito de Ormuz.
Contudo, segundo Su, da EIU, a China não se submeterá à pressão dos Estados Unidos para agir contra o Irã ou a Rússia, sobre os quais pode ter influência, mas não controle decisivo. A guerra com o Irã adicionaria “mais uma camada de pressão mútua”, destacou Lee, embora o foco principal das negociações siga sendo o comércio e o investimento.
