Rússia anuncia cessar-fogo de 48 horas com a Ucrânia

A Rússia anunciou um cessar-fogo de dois dias com a Ucrânia, que terá início à meia-noite desta sexta-feira (8), em razão das comemorações do Dia da Vitória, celebrado no sábado (9). Essa data é emblemática para os russos, pois marca a derrota da Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial.

Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, confirmou a trégua durante uma coletiva de imprensa. Ele afirmou: “Sim, estamos falando dos dias 8 e 9 de maio”. Vale lembrar que a Rússia já havia proposto um cessar-fogo na última segunda-feira (4), e horas depois, a Ucrânia também anunciou uma pausa no conflito, que começaria à meia-noite de quarta-feira (6). No entanto, Kiev acusou Moscou de não respeitar essa pausa.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, denunciou que, nas primeiras horas de quarta-feira, a Rússia lançou mais de 100 drones e três mísseis. Sibiga declarou que isso evidencia a recusa da Rússia em buscar a paz e criticou os apelos para um cessar-fogo, afirmando que “para Putin, só importam os desfiles militares, não as vidas humanas”.

Ao ser questionado sobre a trégua ucraniana, Peskov respondeu que “não houve reação por parte da Rússia a isso”. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que responderia de forma “recíproca” a qualquer violação de sua proposta.

Zelenski enfatizou que “uma guerra em larga escala e o assassinato diário de pessoas constituem um péssimo momento para ‘celebrações’ públicas”. Ele também ressaltou que a escolha da Rússia é uma clara rejeição a um cessar-fogo e à proteção de vidas.

Em resposta às ações da Ucrânia, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia ameaçou retaliar Kiev caso o país “execute seus planos terroristas criminosos durante as celebrações do Dia da Vitória”.

Neste ano, o tradicional desfile militar em Moscou terá algumas ausências notáveis, como tanques e mísseis, uma decisão justificada pelo Ministério da Defesa da Rússia em função da “situação operacional atual”. Peskov acrescentou que haverá medidas de segurança reforçadas durante as celebrações, especialmente em relação ao presidente Vladimir Putin, devido a uma suposta ameaça terrorista representada pelo governo ucraniano.

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