Reações globais sobre a situação no Estreito de Ormuz: EUA, Irã, Rússia, China e Europa se manifestam
Cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente é transportado pelo Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica que, segundo a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, está sob seu “pleno controle”. A situação na região se deteriorou após uma operação conjunta entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã no dia 28 de fevereiro, levando Teerã a restringir o tráfego de embarcações como forma de retaliação.
O Estreito de Ormuz é crucial para o comércio de petróleo, com cerca de 20 milhões de barris passando por suas águas diariamente. O bloqueio resultou em um aumento significativo nos preços dos combustíveis e na urgência por uma solução que restabeleça a navegação. No entanto, as visões de Teerã e de outros governos sobre a situação divergem.
Autoridades iranianas afirmam que a restrição se aplica apenas a embarcações dos Estados Unidos, de Israel e de seus aliados. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante uma conversa com a ministra filipina Maria Theresa Lazaro, destacou que Teerã está adotando uma postura “responsável” para assegurar a passagem de “navios não hostis”. Ele também enfatizou que o bloqueio a Washington e Tel-Aviv “está em conformidade com o direito internacional” e visa proteger a segurança regional e evitar ações militares.
Controle militar
Na quarta-feira (1º), a Guarda Revolucionária Islâmica reafirmou que a passagem está sob seu “pleno controle” e que não será reaberta devido a “encenações” promovidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um pronunciamento, Trump declarou que o tráfego na hidrovia será restaurado “naturalmente” com o fim do conflito no Oriente Médio, prevendo que a situação se resolveria “em duas ou três semanas” com um ataque severo ao Irã.
O embaixador da Rússia no Irã, Alexey Dedov, afirmou que Teerã garantiu à Moscou que não haveria restrições para navios russos no Estreito de Ormuz. O assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, também declarou que a passagem “está aberta” para a Rússia. Em contrapartida, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia expressou oposição ao bloqueio imposto pelo Irã, embora tenha ressaltado a necessidade de avaliar a situação dentro de um contexto global mais amplo.
A China também se manifestou, com a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, informando que três embarcações chinesas navegaram recentemente pela hidrovia com “assistência das partes relevantes”. O chanceler chinês, Wang Yi, e o vice-primeiro-ministro do Paquistão, Mahammad Ishaq Dar, discutiram uma iniciativa para restaurar a paz no Golfo e no Oriente Médio, com propostas que incluem:
- Cessar imediatamente as hostilidades
- Iniciar negociações de paz rapidamente
- Garantir a segurança de alvos não militares e das rotas de navegação
- Proteger a Carta das Nações Unidas
Reação da Europa
Os países europeus inicialmente rejeitaram o pedido de Trump para enviar suas marinhas à região, receando serem arrastados para o conflito. No entanto, a preocupação com o impacto do aumento dos custos de energia na economia global levou-os a tentar formar uma coalizão para proteger seus interesses.
Em uma reunião que contou com a presença de cerca de 40 países, a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que o Irã “sequestrou uma rota marítima internacional para manter a economia global como refém”. Ela criticou a “imprudência” de Teerã, que, segundo ela, afeta famílias e empresas em todo o mundo. Embora a reunião não tenha resultando em um acordo específico, houve um consenso de que o Irã não deveria impor taxas para a utilização do Estreito de Ormuz, devendo todos os países ter acesso livre à passagem.
Estreito de Ormuz: um ponto crítico
O Estreito de Ormuz serve como uma passagem vital entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã, atuando como a fronteira natural entre o Irã e a Península Arábica. Classificado como o principal chokepoint energético do mundo, sua importância geopolítica e financeira é inegável, com aproximadamente 20% do consumo global de petróleo transitando por suas águas diariamente.
