Pintura barroca do século 18 é revelada no Mosteiro de São Bento, em Olinda

Após 140 anos coberta, pintura original do século 18 é descoberta durante restauração no Mosteiro de São Bento, em Olinda.

O Mosteiro de São Bento, em Olinda, reabriu suas portas em junho de 2026 com uma descoberta artística significativa: uma pintura datada entre 1770 e 1778 foi revelada após estar oculta sob várias camadas de tinta branca por cerca de 140 anos. Essa intervenção faz parte de um amplo projeto de restauração iniciado em dezembro de 2024.

Descoberta da pintura e processo de restauração

Durante as obras de restauração na basílica do mosteiro, uma pintura foi encontrada no forro do nártex, área próxima à entrada da igreja. O painel tem 11,5 metros de comprimento por 4,6 metros de largura e representa balaústres decorados com jarros e guirlandas de flores, típico da estética barroca.

Para preservar a obra, a equipe utilizou técnicas precisas. Primeiro, testes de solvência identificaram os solventes capazes de remover as camadas de tinta branca sem afetar o pigmento original. A restauração foi feita progressivamente, camada por camada, com enxágue contínuo para eliminar resíduos.

Pérside Omena, conservadora-restauradora e coordenadora geral da obra, ressaltou que o estado avançado de degradação da madeira foi um desafio, causado por umidade e danos biológicos, como cupins e morcegos. Medidas de desinfecção, consolidação e enxertos em madeira de cedro foram aplicadas para garantir a integridade da estrutura.

Contexto histórico e cultural

Segundo o professor Wellington Estima, historiador e sociólogo, a ocultação da pintura reflete uma mudança estética do final do século 19, quando o barroco perdeu prestígio diante do neoclassicismo e movimentos higienistas. O repintar com tinta branca buscava simplificar e adequar os interiores ao gosto da época.

Pérside Omena destaca que as igrejas barrocas brasileiras foram projetadas como conjuntos integrados, combinando arquitetura, douramentos e pinturas para formar uma unidade simbólica. A repintura branca ocultava essa riqueza por décadas, alterando a percepção original do ambiente.

Investimento e importância cultural

O restauro do Mosteiro de São Bento conta com investimento de R$ 16 milhões, financiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) via Novo PAC e gerenciado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). A empresa Grifo Diagnóstico e Preservação de Bens Culturais conduziu os trabalhos, que devem ser concluídos até julho de 2027.

A presidente da Fundarpe, Renata Borba, enfatizou que o projeto reforça a relevância do mosteiro como símbolo barroco e patrimônio identitário de Pernambuco e do Brasil, fortalecendo o vínculo da população com esse marco histórico e cultural.

Etapas da restauração e abertura

  • Início das obras: dezembro de 2024
  • Reabertura parcial ao público: junho de 2026
  • Previsão de término: julho de 2027
  • Investimento total: R$ 16 milhões

Reação da comunidade

A jornalista e empresária Amanda Remígio, uma das primeiras visitantes após a reabertura, ressaltou a importância da redescoberta. Para ela, a pintura ressignifica a riqueza histórica do mosteiro, reconhecido como patrimônio nacional e mundial.

Publicação sobre o restauro

Na entrega da primeira fase da restauração, foi lançado o livro “Mosteiro de São Bento – O Patrimônio Cultural no Novo PAC”, parte da coleção Restauro, que documenta técnicas e registros da intervenção.

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