Peru avança para segundo turno nas eleições presidenciais de junho
A candidata Keiko Fujimori celebrou, nesta segunda-feira (13), os resultados das pesquisas e estimativas preliminares das eleições no Peru, que a colocam como favorita para um segundo turno em junho, enfrentando um adversário de esquerda. O processo de apuração, no entanto, tem sido marcado por lentidão e questionamentos sobre a credibilidade da autoridade eleitoral, devido a atrasos e problemas que prolongaram o horário de votação até as 18h00 (horário local).
“Os resultados são um sinal muito positivo para o nosso país, porque o verdadeiro adversário é a esquerda”, declarou a filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori. Sem um oponente definido, a disputa pela segunda vaga no segundo turno envolve diversos candidatos, entre eles o ultraconservador Rafael López Aliaga, que se apresenta como um forte concorrente.
Desafios do próximo presidente
O novo presidente enfrentará desafios significativos, incluindo altas taxas de criminalidade e uma instabilidade política que resultou na troca de oito presidentes na última década. Com 40% dos votos contabilizados, Fujimori lidera a apuração oficial, à frente de López Aliaga, conhecido como Porky. Em um país onde o voto é obrigatório, cerca de 63.000 pessoas não puderam votar devido à falta de cédulas, urnas e outros materiais eleitorais.
“É revoltante que, no século XXI, ainda enfrentemos essas situações no Peru. A cada dia, a situação piora”, afirmou Martha Tumba, de 81 anos, durante um protesto em frente à sede da autoridade eleitoral. Durante o dia da votação, longas filas foram registradas em várias seções eleitorais em Lima, sob condições climáticas adversas.
López Aliaga também se manifestou sobre os problemas enfrentados nas urnas, classificando a situação como uma “fraude eleitoral gravíssima” e prometendo organizar um protesto popular.
Cenário político conturbado
As pesquisas indicam uma disputa acirrada entre o social-democrata Jorge Nieto, que ainda pode ultrapassar López Aliaga, e o empresário centrista Ricardo Belmont. Antes do encerramento da votação, a polícia anticorrupção e promotores de justiça invadiram a sede da autoridade eleitoral e a empresa encarregada da distribuição de materiais, buscando esclarecimentos sobre os incidentes.
Agentes de segurança foram vistos nas proximidades do órgão eleitoral, enquanto, à noite, um grupo de manifestantes gritou “fraude” em frente à sede da autoridade.
Desconfiança generalizada
A desconfiança em relação aos políticos peruanos é alta, com a população responsabilizando-os pela crescente violência associada a grupos criminosos transnacionais em conflito com organizações locais. As campanhas eleitorais focaram no combate à criminalidade, com propostas radicais por parte de alguns candidatos, incluindo tribunais secretos para julgar infratores e medidas extremas como a premiação pela morte de criminosos.
Desde 2016, o Peru já teve oito presidentes, metade deles destituídos por um Parlamento amplamente rejeitado pela população. Em entrevista à AFP antes das eleições, Keiko Fujimori prometeu expulsar imigrantes irregulares, atrair investimentos dos Estados Unidos e alinhar-se a um bloco de governos de direita na região, apoiado por Donald Trump.
Os eleitores receberam uma cédula de 44 centímetros, que pela primeira vez desde 1990 inclui votos para deputados e senadores, já que o país restabelecerá um Parlamento bicameral em julho. De acordo com o Latinobarómetro, mais de 90% da população peruana declara ter “pouca” ou “nenhuma confiança” em seu governo e no Parlamento, o índice mais alto da América Latina.
Apesar dos desafios, o Peru se destaca como uma das economias mais estáveis da região, apresentando a menor inflação do continente e um crescimento nas exportações minerais.
