Netanyahu comenta desentendimento com Trump: “Acontece nas melhores famílias”
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou nesta quarta-feira (3) que teve uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecendo a existência de desentendimentos, mas assegurando que a situação será resolvida. Em entrevista à CNBC, Netanyahu afirmou: “Às vezes, como nas melhores famílias, temos esses desentendimentos táticos. Sempre encontramos uma forma de solucioná-los”.
Embora tenha se recusado a entrar em detalhes sobre a conversa, o premiê destacou que os pontos de concordância entre eles superam as divergências. “Concordamos em muitos aspectos e chegamos a um consenso sobre o que é fundamental. Podemos discordar pela manhã e agir em conjunto à tarde”, completou.
Donald Trump também comentou o assunto nesta quarta-feira, admitindo que a conversa com Netanyahu foi “raivosa”. O presidente norte-americano revelou que, durante a ligação no último fim de semana, chamou o primeiro-ministro de “louco” e o pressionou a interromper a escalada militar contra o Líbano. Essa declaração foi feita durante sua participação no podcast “Pod Force One”, onde expressou preocupação com as constantes tensões do premiê com o país vizinho.
Apesar do desentendimento, Trump declarou que se dá “muito bem” com Netanyahu.
Situação no Líbano
Na mesma entrevista, Netanyahu enfatizou que Trump é “o melhor amigo que Israel já teve” e explicou que o Líbano está sendo manipulado pelo Hezbollah, justificando assim as ofensivas israelenses em Beirute. “Estamos tentando enfraquecer o Hezbollah para que um Líbano livre possa surgir. Precisamos desmilitarizar o Líbano. O Hezbollah não pode invadir Israel como o Hamas fez”, afirmou.
Sobre a relação com o Irã, Netanyahu alegou que o regime iraniano “está muito mais fraco”, mas enfatizou que o conflito ainda não chegou ao fim. Ele ressaltou a necessidade de encontrar uma forma de desmantelar o programa nuclear de Teerã, mencionando que as forças israelenses e norte-americanas estão prontas para agir, se necessário. “Trump e eu concordamos sobre os principais pontos em relação ao Irã. Se uma escalada militar for necessária, seguirei a decisão de Trump. Ele está avaliando várias opções. Conversamos a cada dois dias”, disse.
O premiê também alertou que uma ação militar pode ser uma opção para garantir a segurança no Estreito de Ormuz, um ponto crítico nas discussões sobre a guerra em curso.
Informações adicionais foram obtidas do Estadão Conteúdo.
