NASA finaliza missão em Marte após 11 anos com perda de contato com sonda
A NASA anunciou a conclusão da missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution), dedicada exclusivamente ao estudo da atmosfera de Marte, nesta quarta-feira (3). Após mais de 11 anos em órbita, superando em uma década o tempo inicialmente previsto, a sonda foi considerada irrecuperável devido a problemas em seus sistemas de comunicação.
O último contato com a MAVEN ocorreu em 6 de dezembro do ano passado, quando a espaçonave perdeu o sinal ao passar atrás do Planeta Vermelho. Um comitê de revisão da NASA, convocado em fevereiro, constatou que a sonda entrou em modo de segurança e começou a girar a uma velocidade extremamente alta ao reaparecer. Essa rotação acelerada descarregou as baterias, deixando o sistema de comunicação sem energia e a nave em um estado irrecuperável. A causa exata da falha ainda está sendo investigada, mas a NASA já deu início ao processo formal de desativação da sonda.
Lançada em novembro de 2013, a MAVEN teve um papel crucial na compreensão de como Marte deixou de ser um planeta com água líquida e potencial para sustentar vida, tornando-se o ambiente árido e gelado que conhecemos atualmente. Louise Prockter, diretora da Divisão de Ciência Planetária da NASA, destacou a importância das descobertas da MAVEN: “As informações que obtivemos são essenciais para determinar quais medidas de proteção contra radiação e segurança devemos implementar antes de enviar humanos a Marte.”
Durante sua operação, a equipe da missão produziu mais de 800 publicações científicas.
Contribuições científicas
A MAVEN demonstrou que os ventos e tempestades solares foram os principais agentes responsáveis pela perda da atmosfera de Marte, alterando drasticamente o clima do planeta ao longo de sua história. Além disso, a missão identificou novos tipos de auroras formadas por prótons, que, diferentemente da Terra, podem iluminar todo o planeta.
Pela primeira vez em qualquer planeta, a sonda registrou a perda atmosférica por pulverização, revelando como íons em alta velocidade colidem e “espirram” moléculas de gás, como o argônio, para o espaço. Em 2018, durante uma tempestade global de poeira, a MAVEN confirmou que o aquecimento gerado impulsiona moléculas de água para altitudes extremas, acelerando a perda de água de Marte.
Além de suas observações inovadoras do cometa 3I/ATLAS, a MAVEN também foi fundamental na Rede de Retransmissão de Marte da NASA, estabelecendo o recorde de maior volume de dados retransmitidos de rovers para a Terra em um único dia.
Shannon Curry, investigadora principal da missão, expressou o sentimento da equipe: “A missão MAVEN realmente ampliou nossa compreensão sobre a atmosfera e a evolução de Marte. Estamos extremamente orgulhosos de todas essas descobertas significativas.”
