Movimentações de Trump levantam suspeitas sobre possível intervenção em Cuba
A tensão entre Estados Unidos e Cuba se intensificou nas últimas semanas, refletindo uma estratégia semelhante àquela utilizada contra a Venezuela antes da queda de Nicolás Maduro. O governo de Donald Trump tem adotado uma postura cada vez mais agressiva, expandindo as sanções econômicas e a pressão diplomática sobre a ilha.
Recentemente, Trump acusou o ex-presidente cubano, Raúl Castro, pela derrubada de dois aviões em 1996, uma ação que reforça a pressão já existente sobre Cuba, país que enfrenta um embargo desde 1962 e que atualmente lida com uma crise econômica e energética severa. O presidente americano alterna entre ameaças e propostas de diálogo, estratégia similar à que utilizou com a Venezuela, onde conseguiu depor Maduro e levá-lo aos EUA para julgamento.
Reação cubana
O atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu ao indiciamento de Castro, afirmando que se trata de uma manobra política sem fundamento jurídico, cujo objetivo seria justificar uma possível agressão militar contra Cuba. “Essa ação visa apenas fortalecer a narrativa que preparam para legitimar uma invasão”, declarou.
Trump, em uma medida anterior, havia assinado um decreto que ampliou as sanções contra autoridades cubanas, focando em membros das forças de segurança e aliados do regime. Essa ação ocorreu logo após a queda de Maduro, aumentando ainda mais a pressão sobre Cuba.
Ameaças de invasão
Na segunda-feira (18), Díaz-Canel alertou sobre um possível “banho de sangue” caso os EUA decidam invadir a ilha. Ele também reivindicou o direito de defesa, em resposta a uma reportagem do site de notícias Axios, que revelou que Cuba adquiriu mais de 300 drones militares da Rússia e do Irã. Essa informação surge em meio a especulações sobre uma possível intervenção militar norte-americana.
Após a queda de Maduro, Trump reiterou que Cuba “não sobreviverá sem o petróleo venezuelano”, instando o governo cubano a negociar antes que seja tarde. O fornecimento de petróleo da Venezuela para Cuba foi interrompido, e os EUA ameaçam sanções a qualquer país que venda combustível à ilha, o que tem severamente comprometido sua economia, já debilitada.
Crise energética
A União Nacional Elétrica de Cuba informou recentemente que um apagão deixou mais de 10 milhões de pessoas sem energia, resultado do desabastecimento devido ao bloqueio de petróleo imposto pelos EUA. A capital cubana enfrentou cortes que ultrapassaram 15 horas, com algumas províncias registrando interrupções ainda mais longas.
Estratégia de criminalização
Antes da queda de Maduro, os EUA já haviam acusado formalmente o líder venezuelano, criando um precedente jurídico e político para futuras operações. Agora, Washington repete essa estratégia contra Cuba, com a recente acusação contra Raúl Castro, que está relacionada ao incidente de 1996, quando aviões da organização “Brothers to the Rescue” foram abatidos.
Postura de Trump
Após as acusações contra Castro, Trump afirmou que este é um “momento muito importante” para a comunidade cubano-americana. Ele declarou que os EUA não precisam escalar a situação com Cuba, pois o país está “desmoronando por conta própria”. Antes da invasão da Venezuela, Trump já havia expressado ceticismo sobre um possível conflito militar.
Recentemente, o Comando Sul dos Estados Unidos anunciou a presença do porta-aviões USS Nimitz no Mar do Caribe, como uma demonstração de força e prontidão estratégica. O porta-aviões, acompanhado por outros navios, simboliza a capacidade de resposta e a vantagem militar dos EUA na região.
Com informações do Estadão, AFP e Reuters
