Lula solicita apoio de Trump para prender empresário da Refit, alvo da PF hoje
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou ao mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, apoio para a captura de Ricardo Magro, proprietário da Refit, que é alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) realizada nesta sexta-feira (15). A declaração foi feita durante uma entrevista à TV Record Bahia, no início de abril.
Lula afirmou: “Falei ao Trump que, se ele realmente deseja combater o crime organizado, o Brasil está pronto para fazer o que for necessário. […] E ele poderia começar me entregando os brasileiros que estão aí. Tenho informações sobre a localização e os nomes de pessoas que estão foragidas nos Estados Unidos, e estou esperando, principalmente, pelo dono da Refit, que é o principal deles.”
Em um discurso em dezembro do ano passado, o presidente já havia mencionado a Trump a necessidade de prender líderes do crime organizado que se encontram em solo americano. Na ocasião, ele destacou que o “maior chefe do crime organizado do Brasil estava em Miami”, sem mencionar Ricardo Magro diretamente.
Operação Sem Refino
Ricardo Magro foi alvo de mandados de busca e apreensão da PF nesta sexta-feira, no âmbito da Operação Sem Refino, que investiga possíveis fraudes fiscais relacionadas à Refit, a primeira refinaria privada do rio de janeiro e à antiga Refinaria de Manguinhos. A operação também incluiu o ex-governador do rio de janeiro, Cláudio Castro (PL), que teve seu apartamento na barra da tijuca revistado por agentes da PF.
Segundo a Polícia Federal, o objetivo da operação é investigar um conglomerado econômico do setor de combustíveis, acusado de utilizar sua estrutura societária e financeira para ocultar patrimônio, dissimular bens e evadir recursos para o exterior. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do supremo tribunal federal (STF), como parte da ADPF das Favelas, que investiga a atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado.
Foco no combate ao crime
A declaração de Lula em abril reflete a prioridade do governo federal no combate ao crime organizado. No dia 12, o Palácio do Planalto lançou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com o objetivo de fortalecer as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), adquirir novos equipamentos e promover 138 unidades prisionais com padrão de segurança máxima.
A estratégia nacional de enfrentamento às organizações criminosas está estruturada em quatro eixos:
- Asfixia financeira do crime organizado
- Fortalecimento da segurança no sistema prisional
- Qualificação da investigação de homicídios
- Enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos
O governo destacou que esses eixos foram elaborados como resposta aos pilares que sustentam o poder das facções criminosas: a obtenção de lucros com atividades ilícitas, o controle dentro das prisões, a resposta insuficiente à violência letal e o poder armado.
Articulação entre instâncias
Além disso, a administração federal pretende promover uma articulação mais eficaz entre as esferas federal, estadual e municipal, a fim de potencializar investimentos e esforços operacionais contra as lideranças e a estrutura econômica das facções criminosas. Lula enfatizou que o governo não pretende substituir as ações dos governadores ou das polícias estaduais. “O fato é que, se não trabalharmos juntos, não conseguiremos vencer. O crime organizado se aproveita da nossa divisão”, ressaltou.
Reunião com Trump
A questão do crime organizado foi um dos tópicos discutidos em um encontro entre Lula e Trump, realizado no dia 7, na Casa Branca. A reunião durou cerca de três horas e também abordou questões como tarifas comerciais, terras raras e as relações dos Estados Unidos com países da América Latina.
“Saio daqui com a sensação de que avançamos na consolidação da histórica relação democrática entre o Brasil e os EUA”, declarou Lula após o encontro. Embora não tenham sido firmados acordos concretos, o presidente brasileiro conseguiu uma prorrogação de 30 dias sobre as tarifas que os EUA pretendem aplicar ao Brasil, permitindo um tempo adicional para negociações.
Os Estados Unidos haviam imposto tarifas de 50% contra o Brasil, sendo 10% gerais e 40% adicionais específicos ao país. Após uma decisão da Suprema Corte, essa sobretaxa foi reduzida, mas pode ser reinstaurada a partir de julho. A reunião proporcionou ao Brasil um alívio temporário para discutir o tema.
