Lula reafirma apoio a Bachelet como secretária-geral da ONU após recuo do Chile
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou neste sábado (28) que o Brasil, em parceria com o México, continuará a apoiar a candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral da onu. Essa decisão do governo brasileiro era esperada após o recente recuo do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, que é alinhado à direita.
Lula destacou que Bachelet possui um currículo excepcional e é a candidata mais capacitada para o cargo. Ele lembrou que a ex-presidente chilena já ocupou importantes funções internacionais, como a de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos e Diretora Executiva da ONU Mulheres.
“Ela possui todas as credenciais necessárias para se tornar a primeira mulher latino-americana a liderar a organização”, afirmou Lula. Com isso, Brasil e México se comprometerão a patrocinar a candidatura de Bachelet.
Em resposta à mudança de apoio do governo de Kast, Bachelet manifestou sua intenção de seguir com a postulação de maneira independente, contando com o respaldo dos governos de Lula e Claudia Sheinbaum, prefeita da Cidade do México. “Continuarei a colaborar com os governos do Brasil e do México, que apoiaram minha candidatura, reafirmando a natureza coletiva deste projeto”, declarou a ex-presidente.
A prefeita mexicana também se posicionou a favor de Bachelet, afirmando que ela é a escolha ideal para liderar as Nações Unidas, pois possui uma visão voltada para a reconstrução da organização como um espaço internacional de resolução de conflitos. “Continuaremos a apoiá-la. Terei uma conversa com ela em breve. Vamos ver se o Brasil também mantém esse apoio”, disse Sheinbaum.
Relações diplomáticas
Lula tem buscado estabelecer uma relação próxima e pragmática com Kast, tentando evitar atritos. O presidente chileno expressou descontentamento com a candidatura de Bachelet, lançada no final do governo de Gabriel Boric, sem uma discussão prévia com a nova administração. Kast solicitou uma reunião presencial com Lula e Sheinbaum para discutir a situação.
O presidente brasileiro não compareceu à posse de Kast, especialmente após o chileno ter convidado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que gerou tensões, uma vez que Flávio é um adversário político de Lula. Em resposta, Lula enviou uma carta a Kast, convidando-o para visitar Brasília.
Próximos passos na ONU
A ONU agendou para o dia 20 de abril o primeiro debate entre os candidatos a Secretário-Geral em Nova York. Eles concorrem para suceder o atual secretário, o português António Guterres, a partir de 2027.
Recentemente, a Assembleia Geral da ONU anunciou que o governo das Maldivas retirou seu apoio à candidatura da diplomata Argentina Virginia Gamba. Com isso, permanecem quatro candidatos na disputa:
- Rafael Grossi (indicado pela Argentina)
- Michelle Bachelet (indicada pelo Brasil e México)
- Rebeca Grynspan (indicada pela Costa Rica)
- Macky Sall (indicado por Burundi)
Para membros do governo Lula, a crescente quantidade de candidatos pode levar ao surgimento de novos nomes até o final do primeiro semestre, quando a eleição deverá ser definida no Conselho de Segurança da ONU.
