Lula afirma que Trump falhou em tentar interferir nas eleições brasileiras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que, caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha tentado influenciar nas eleições brasileiras de 2022, ele “perdeu”, uma vez que Lula obteve a vitória. Em entrevista após a reunião com Trump, realizada na última quinta-feira (7), o petista expressou a crença de que o republicano não terá impacto nas eleições deste ano.
Lula destacou que a relação entre eles sempre foi bastante transparente. “Acredito que Trump tem apreço pelo Brasil. Ele deve agir como presidente dos Estados Unidos, permitindo que o povo brasileiro escolha seu próprio caminho”, afirmou.
Proposta de grupo de trabalho
Durante a conversa, Lula apresentou a ideia de criar um grupo de trabalho focado nas tarifas de importação e exportação. O presidente brasileiro sugeriu que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil e o Departamento do Comércio dos EUA colaborem para desenvolver um plano em até 30 dias.
Lula mencionou que Trump expressou preocupações sobre os impostos aplicados a produtos norte-americanos. O presidente brasileiro respondeu que a taxa é de 2,8%, enquanto Trump alegou que a cobrança real seria de 12%. Diante dessa divergência, Lula reiterou a necessidade do grupo de trabalho, afirmando: “Quem estiver errado vai ceder. Se tivermos que ceder, nós cederemos”.
Combate ao crime organizado
Questionado sobre a possibilidade de classificar facções como o comando vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, Lula esclareceu que esse assunto não foi abordado. Contudo, a discussão sobre o combate ao crime organizado foi um ponto central da reunião.
O presidente brasileiro enfatizou a importância de criar alternativas econômicas ao narcotráfico, em vez de estabelecer bases militares norte-americanas. “Como um país pode interromper a produção de coca se não oferece alternativas de cultivo que garantam a subsistência?”, questionou. Ele defendeu o incentivo a outras culturas e a compra de produtos para garantir a sobrevivência das comunidades.
Além disso, Lula propôs a criação de um grupo de trabalho com países da América Latina para enfrentar o crime organizado. Para ele, a solução não depende da hegemonia de uma nação, mas sim de um esforço compartilhado. “O Brasil possui uma Polícia Federal altamente capacitada e vasta experiência no combate ao tráfico de drogas e armas”, ressaltou.
O presidente também anunciou que o governo federal lançará um plano de combate ao crime organizado na próxima semana.
