Keiko Fujimori promete expulsão de imigrantes e aproximação com os EUA na corrida presidencial do Peru

A candidata à presidência do Peru, Keiko Fujimori, lidera as intenções de voto e pode avançar para o segundo turno das eleições marcadas para o próximo domingo (12). Durante uma entrevista à AFP, ela anunciou propostas que incluem a expulsão de imigrantes em situação irregular e a atração de investimentos dos Estados Unidos, visando fortalecer a presença de governos de direita na América Latina.

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko, que já disputou a presidência em três ocasiões anteriores, promete “restaurar a ordem” em seus primeiros 100 dias de mandato, em resposta ao aumento da criminalidade no país.

Vantagem nas intenções de voto

Aos 50 anos, Keiko tem uma vantagem de mais de 16% nas intenções de voto, conforme as pesquisas de boca de urna. Se os números se confirmarem, ela disputará a segunda etapa da eleição no dia 7 de junho. “Se eu for eleita, meu objetivo será incentivar os Estados Unidos a se envolverem novamente na economia do Peru“, afirmou a candidata.

Busca por novos aliados

A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está em busca de parceiros para contrabalançar a influência da China na região, que é o principal parceiro comercial de diversas nações, incluindo o Peru. Este país andino é, atualmente, o segundo maior receptor de investimentos chineses na América Latina, com um total de aproximadamente US$ 29 bilhões entre 2005 e 2025, conforme dados do monitor China Global Investment Tracker.

Keiko destacou que a América Latina está passando por uma mudança em direção à liberdade, aos investimentos e à segurança, citando a ascensão de líderes de direita como Javier Milei na Argentina e José Antonio Kast no Chile. “Faltam apenas a Colômbia e o Peru“, completou.

Compromissos de campanha

Keiko já tentou a presidência em 2011, 2016 e 2021, mas perdeu todas as vezes no segundo turno. Com formação em administração nos Estados Unidos, sua campanha atual foca no combate à criminalidade, que ela associa à imigração ilegal. A comunidade venezuelana é a maior no Peru, com cerca de 1,6 milhão de imigrantes, dos quais 14% estão sem autorização.

“Vamos expulsar os imigrantes sem documentos e esperamos criar um corredor humanitário para aqueles que precisam retornar”, afirmou. Ela também planeja solicitar ao Congresso a autorização para enviar forças armadas às prisões e estabelecer tribunais com “juízes sem rosto” para julgar crimes, uma estratégia que seu pai utilizou durante seu governo.

Divisão social

A figura de Alberto Fujimori, que faleceu em 2024, é polarizadora no Peru. Ele é lembrado por derrotar a guerrilha Sendero Luminoso, mas também condenado a 25 anos de prisão por violação de direitos humanos. “O tempo está colocando as coisas em seu lugar. O que o Peru precisa agora é de um Fujimori. Aqui estou eu!”, declarou Keiko.

Crise política

O Peru enfrenta uma grave crise política, já tendo tido oito presidentes em uma década, sendo que quatro foram destituídos pelo Parlamento. Keiko promete ser uma líder conciliadora, reconhecendo que também cometeu erros em sua trajetória política. “Aprendi a priorizar o diálogo e a buscar consensos”, encerrou a candidata.

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.